terça-feira, 13 de novembro de 2007

A Volta de Quem Não Foi

Ao término da Segunda Guerra Mundial o mundo pensava que o nazi-fascismo havia sido expurgado completamente, principalmente com Mussolini enforcado e Hitler se suicidando. Porém, uma idéia que foi simpatizada por tantos, inclusive Getúlio Vargas, pode ser destruída apenas com a morte de seus líderes?
Não, não pode. O nazi-fascismo, como diria Hitler, sobreviveria à derrota da Segunda Guerra. E, por mais que Hitler pudesse ser tão lúcido quanto um bêbado, nesse ponto ele realmente tinha razão.
Hitler e Mussolini conseguiram passar uma idéia de beleza em cima do nazi-fascismo. Afinal ser a raça superior, com a idéia de pertencer a um grupo acima dos outros, é bem vindo em um mundo egoísta e individualista como o nosso.
Nos últimos meses, por toda a Europa, estamos vendo as ações dos neonazistas e o mundo se mantém calado, deixando o verme crescer no coração das nações.
Na Alemanha, principalmente na zona da antiga Alemanha Oriental (mais pobre e atrasada que o lado Ocidental), alguns grupos de extrema direita andam propagando idéias nazistas para crianças de cinco a doze anos. A polícia alemã achou livros para colorir com imagens de Hitler, gibis explicando a base da teoria nazista (o dever da raça ariana, a “beleza” do mundo nazista...) e vários outros tipos de material que incentivam as futuras gerações a apoiarem o nazismo.
Nos Estados Unidos, a tão “sagrada” terra da Liberdade, existe um prédio do Exército que é uma suástica, visto do céu. Isso por que é a terra da Liberdade, onde as pessoas são iguais (só se for na teoria...)!
Na Itália, manifestações de caráter fascista são feitas em lugares públicos, como em estádios de futebol, sem resultar em prisões. Já houve jogador da Lazio comemorando gol em forma a saudar Mussolini além de suásticas em bandeiras e até em pichações em arquibancadas. O caso mais recente foram os tumultos que torcedores fascistas fizeram após um policial atingir sem querer um torcedor que fazia parte desses grupos. Resultado? Duzentos terroristas invadiram uma delegacia de polícia em Roma, além de mortes e setenta policiais feridos.
O engraçado é ver como a ignorância se propaga tão rápido em mentes fracas. Até mesmo aqui no Brasil, terra de “raça inferior por ser mestiça” segundo Hitler, existem movimentos neonazistas.
Esses neonazistas, ao contrário dos europeus, são ignorantes a ponto de fugirem totalmente à regra da teoria que seguem. Pela teoria do nazismo, a raça pura ariana (que para os romanos eram os bárbaros) teria superioridade sempre. A música, a arte, a cultura, as idéias, todas deveriam ser alemãs e não de outros lugares do mundo. Mas no Brasil, qual seria a raça pura? Os indígenas?
Então, pelo lógico da teoria proposta por Hitler, no Brasil teríamos que matar 90% da população (além de termos que nos suicidar), e quem sobrevivesse, destruiria todos os ritmos musicais (só deixando moda de viola e bossa nova), além de vestir tangas e falar dialetos muito distantes do nosso português.
“Ah! Mas o projeto de crescimento alemão na época e os feitos atingidos pelos alemães foram uma revolução!” Esse tipo de argumento fraco, porém muito usado mostra como a verdade foi desfigurada ao passar do tempo.
O projeto de crescimento alemão tem lá sua grandiosidade por erguer o orgulho de uma nação humilhada após a Primeira Guerra Mundial. Hitler conseguiu fazer o povo se sentir capaz, mesmo que para isso tenha usado idéias tão tolas.
Por outro lado, esse projeto de crescimento alemão não se diferencia dos planos qüinqüenais vividos na União Soviética de Stálin. Os dois paises buscaram planificar a economia, fazendo assim metas de crescimento. Para ambos os lados o projeto deu certo, mas comprova de que esse crescimento não se deu por conta do nazismo e sim por conta da organização e direcionamento do progresso na Alemanha.
Já as forças armadas alemãs, fortes e bem organizadas, tiveram grandes façanhas, mas nunca foram as melhores do mundo.
A blitzkrieg, o ataque arrasador nazista, foi muito eficaz e funcionava dessa maneira: os aviões da Luftwaffe (Força Aérea Alemã) entravam em campo inimigo bombardeando, vindos de todas as direções. Sem deixar espaço de tempo, os poderosos tanques Panzerkamftwagen 3 e Panzerkampftwagen IV Tiger, atacavam os campos inimigos, seguidos por divisões de homens da Wehrmatch (o Exército Alemão), que asseguravam a vitória e ocupavam o território inimigo. Enquanto isso, no litoral, a Kriegmarine (Marinha Alemã) atacava os portos inimigos, interrompendo a chegada de mantimentos e ainda conseguindo desembarcar tropas. Tudo era feito muito rápido, para que o inimigo ficasse “tonto” com o ataque rápido, o que dava a impressão que os alemães vinham por todos os lados.
A blitzkrieg foi capaz de destruir a Polônia, a França, a Dinamarca e quase todos os paises bálcãs e mais alguns bálticos.
Em 1940, parecia que a vitória alemã seria fácil e rápida, pois ninguém segurava a blitzkrieg. Então, para destruir a Europa Ocidental de uma vez por todas, Hitler se lança contra a Inglaterra. A poderosa Luftwaffe e a Kriegmarine juntas para destruírem o Reino Unido. O que aconteceu?
Na maior batalha aérea que já aconteceu, a Batalha da Inglaterra, a Royal Air Force, mostrando bravura e coragem (afinal os Stukas e os Messerschimitts alemães eram muito superiores aos Spitfires e Bandits ingleses), derrotaram os alemães, conseguindo destruir uma boa parte da frota da Luftwaffe. A partir daí, a Luftwaffe só saberia o significado da palavra derrota, em todas as operações até que em 1944 seria reduzida a um campo de pouso em Berlim com pouquíssimos aviões.
Já a Kriegmarine não chegou a invadir a ilha, pois a frota britânica massacrou os alemães no Canal da Mancha, impossibilitando a invasão de tropas.
A Wehrmatch, com a Waffen SS (tropa de elite alemã), são conhecidas hoje como o melhor exército que o mundo já viu. Triste engano!
A Wehrmatch seria derrotada na União Soviética, não só pelo poderoso exército russo (esse sim o melhor exército do mundo!) e sim pela população. Os alemães levaram mais de um milhão de homens para a União Soviética, voltaram menos de cem mil. O que sobrou da Luftwaffe virou pó em território soviético e os tanques alemães, já superiores aos do inicio da guerra (os famosos King Tiger Pazer I e King Tiger Panzer II), foram barrados pelos TR-34 e TR-40 soviéticos. A campanha americana do pós-guerra dizia que o frio e a técnica de arrasar a terra salvaram os soviéticos dos alemães. Mas como o frio salvou os soviéticos se a maioria do cerco à Moscou foi feito na primavera e no verão de 1941? Doce ilusão!
O Exército Alemão, a política de crescimento de Hitler... tudo enganação que chega hoje aos nossos ouvidos como feitos heróicos. A Alemanha foi grande, mas foi graças à competência de sua inteligência, que desde 1888 era a melhor do mundo para tudo, menos para perceber que não era infalível.
Hoje em dia, não é mais plausível que idéias que já foram implodidas pela História voltem à tona e tragam a sensação de horror que o mundo sentiu há 62 anos atrás. É bom que os governantes, de todo o mundo, tomem cuidado com essa volta do nazi-fascismo, senão o que já está ruim, ficará ainda pior...