sábado, 22 de setembro de 2007

Campanha Cansei (Visão Pessoal)

Uma nova campanha explodiu nos meios de comunicação, a campanha Cansei, do PPS.
Essa campanha, cuja intenção é criticar o Governo Federal, ganha força com o apoio das grandes redes de televisão do Brasil.
Os participantes pregam o uso do nariz de palhaço para dizerem que estão cansados de verem tanta ineficiência do Governo Federal.
Eu, Rodrigo Accioli, um bom cidadão, vou aderir a essa campanha também. Vou colocar um nariz de palhaço e vou fazer as minhas críticas. Quais seriam elas?
Primeiramente, criticar um Governo Estadual em que o governador sai para disputar a presidência e, um mês depois uma facção criminosa instaura o terror em todo o estado. E qual é a resposta do ex-governador? “Ele não tinha nada haver com aquilo, pois quem estava no cargo de governador era Cláudio Lembo e não ele”. Essa fala, verídica, é comprovada em um vídeo que hoje é atração no website do You Tube. E, no mínimo, mostra o quanto o ex-governador, Sr. Geraldo Alckmin, tem pulso firme e força de vontade de defender os cidadãos que vivem no estado mais rico do país.
Enquanto Alckmin fugia para o Nordeste, alegando estar em campanha, o governador Cláudio Lembo, embranquecendo o embranquecido, fazia acordo com os marginais para eles cessarem os ataques. E dois meses depois, nas eleições presidenciais, Alckmin dizia a plenos pulmões que havia reestruturado e melhorado a polícia e o sistema carcerário de São Paulo (Marcola que nos diga).
O segundo ponto é a questão dos pedágios nas vias sob concessão do Estado de São Paulo.
Na rodovia Presidente Castello Branco, altura do município de Jandira, já existia um antigo pedágio. Porém, o paupérrimo Estado de São Paulo, carente de verbas, resolve colocar um pedágio nas marginais da rodovia, uma extensão de menos de 15 km.
Se fosse ainda um imposto justo, no caso menos de um real, era suportável. Mas além de colocarem pedágios em uma “avenida” (pelo tamanho, a Av. Sapopemba em São Paulo teria dois pedágios, seguindo essa lógica), ainda fazem um preço alto. Será que quinze quilômetros precisam ser mantidos com milhões de reais por mês?
Outro absurdo é a nova proposta do atual governador, Sr. José Serra, de pôr pedágios no trecho oeste do Rodoanel (o único que ficou pronto, de um projeto que era para ter seus trechos totalmente completos em 2006).
O Rodoanel, no papel, é uma idéia para desafogar o transito das cidades, pois ele seria desviado para um anel viário que passaria por todas as estradas ao redor da capital paulista.
O nosso governador, sábio e inteligente, resolve colocar pedágios no Rodoanel. Mas pense bem: se isso for posto em prática, os motoristas usarão as cidades para fugir da conta, tornando o Rodoanel um gigante inútil. Não seria um bom motivo para colocarmos um nariz de palhaço, ou será que o palhaço está mais acima?
Por falar em nariz de palhaço, a arte circense é muito empregada pelo governador do estado e pelo prefeito da cidade de São Paulo, o Sr. Gilberto Kassab.
O primeiro espetáculo aconteceu em julho, mês de férias escolares.
O prefeito da cidade de São Paulo resolveu suspender o rodízio de carros, achando que não haveria problemas, se tratando de um mês de férias. Conclusão: o respeitável público suportou horas e horas de engarrafamento, tanto para ir quanto para voltar do trabalho. Cansou, não cansou?
O segundo espetáculo é um caso a parte: o Bilhete de Ônibus Metropolitano.
Serra, vendo o sucesso do Bilhete Único- projeto feito e realizado na gestão de Marta Suplicy em São Paulo - tentou copiá-lo para ser usado na Região Metropolitana da capital. Daí nascia o BOM (Bilhete de Ônibus Metropolitano)!
O BOM, que era para ser ótimo, ficou ruim. Não fizeram uma estrutura eficiente para o BOM ser acessível a toda a população (apenas estudantes, idosos e algumas pessoas conseguem retirar o cartão eletrônico). E não seria nada demais abrir o BOM a toda a população, pois é até um certo conforto usá-lo. Será que eles não conseguiram entender o projeto do Bilhete Único?
Como todo bom espetáculo de circo, esse vem em três atos. O terceiro é a construção da Linha 4 do Metrô de São Paulo.
Essa linha, já famosa pela cratera que foi formada próximo à Marginal do Rio Pinheiros, agora teve mais um episódio que deixaria qualquer platéia ao estado de risos.
Um túnel de metrô é feito da seguinte maneira: uma equipe fica no inicio da linha e outra no final. E dali, cada equipe faz escavando, até que as duas se encontram, finalizando o processo de escavação dos túneis. Em São Paulo isso foi feito, mas por um erro patético, as duas equipes não se encontraram, pois uma parte ficou paralela à outra, por mais ou menos 1,40 m.
Será que essas palhaçadas todas não cansam o povo paulista? Não, não cansam. O por que? Porque a imprensa encobre os podres dos governos PSDB, assim como foi encoberta a noticia de que os tucanos haviam feito a limpa na construção dos Conjuntos Habitacionais da CDHU. E é isso o que mais cansa! É muito cansativo você ouvir críticas ao governo federal a todo tempo, ver o jornal O Estado de São Paulo ocupar a manchete principal para falar que o índice de aprovação do Governo caiu 1,2%! Enquanto isso, o governo estadual corrói o estado inteiro, deixando-o com uma segurança pública medieval, escolas públicas de qualidade queniana e dois palhaços, que pensam que governar é jogar Sim City.
Isso é o que me cansa! Meu nariz de palhaço é dedicado a essa imprensa, que só informa o que lhe convém e a esses governantes incompetentes, além de um partido alienado e pobre de idéias, como o PPS.
E a platéia, enquanto isso, continua assistindo aos espetáculos, só que com vendas nos olhos e uma serpente como guia...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

O Agressor Agredido

Segunda semana do mês de setembro. Nessa semana, aconteceu o aniversário de seis anos do primeiro ataque estrangeiro em solo americano. Flores, velas acesas e várias cartas no muro próximo onde ficavam as torres que outrora eram as maiores do mundo, as torres do World Trade Center.
Naquele onze de setembro de 2001, os Estados Unidos choraram. Mas, se os iraquianos pudessem prever o futuro, com certeza teriam chorado com mais dor e insegurança do que os estadunidenses.
Teriam chorado por um outro atentado terrorista, causado pela onda negra do Agressor Agredido. Teriam chorado por pressentir que depois do Afeganistão, o Iraque seria o alvo do que foi chamado de Cruzada contra o Terror - o que deixou o mundo islâmico em alvoroço.
Assim como as Cruzadas do período medieval, os novos “cruzados” usaram um pretexto para atingir o objetivo principal: o enriquecimento. Só que para essa nova Cruzada, Sir. George Bush, o Cavaleiro Branco, atacou o Afeganistão para inebriar a visão mundial sobre o conflito, para depois lançar o seu plano principal. O Cavaleiro Branco semeou a morte e a miséria em um povo que já vivia em condições difíceis. E depois de tanto sangue e tristeza, o Cavaleiro perdeu sua batalha contra Osama Bin Laden, principal acusado do atentado de 11 de setembro.
Mas um grande cavaleiro não haveria de desistir da Glória Eterna! E lá foi o cavaleiro sem cavalo, mudando seu rumo para o Iraque.
O Iraque, país rico em petróleo, na época não dispunha de armamento nenhum, nem dos mais simples, para sua própria defesa. E mesmo assim, os Estados Unidos o acusaram de fabricante de armas nucleares, além de celeiro do terrorismo. Nossa! Prender fabricantes de armas nucleares agora é crime? Sorte do Roosevelt já ter morrido!
O Cavaleiro atacou e com sua lança golpeou o governo de Saddam Hussein, única força que ainda mantinha o país unido. Com a estocada no coração de Bagdá, os vermes da desordem tomaram conta do governo que já jazia nas mãos dos Estados Unidos. Não seria também um atentado terrorista atacar um país que era totalmente inocente? Um ataque a dois prédios valeria a morte de dezenas de milhares de pessoas inocentes? Para o Cavaleiro Branco, sim.
Alias, não é de hoje que os americanos são terroristas que ficam maquiados no Teatro de Operações. Voltemos no tempo, na época da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
O Japão, uma das forças do Eixo Roma-Berlim-Tóquio, estava totalmente subjugado ao poderio ianque e já não representava perigo. Mas o Tio Sam, para poder testar seu novo brinquedinho, usou duas cidades japonesas como o local para seus testes: as cidades de Hiroshima e Nagasaki. O brinquedinho, uma bomba atômica, foi lançado contra a cidade de Hiroshima, matando quase toda a sua população (uma cidade abarrotada de civis, que não tinham relação nenhuma com a guerra)! Após o horror da bomba, com pessoas desfiguradas, crianças morrendo de câncer, milhares de pessoas carbonizadas, os mocinhos do Mississipi atacaram de novo com seu novo brinquedinho, dessa vez na cidade de Nagasaki. Cristo! Eles viram o que aconteceu com Hiroshima e bombardearam novamente, sem nenhum escrúpulo!
Ah! Mas o povo dos Estados Unidos de hoje não pode pagar pelo o que seus antepassados fizeram! Contudo, os mesmos estadunidenses fazem uma nação inteira ser culpada, mesmo sabendo de sua inocência! Paradoxo, não?
Espere, caro leitor! No caso do Oriente Médio, os estadunidenses não pararam por aí! Além de dominarem o Iraque, ainda o pilharam, pois as fontes de petróleo iraquianas ficaram em poder das empresas americanas. E, onde antes Hussein sufocava qualquer milícia terrorista, agora as milícias sufocam o governo de marionetes imposto pelos Estados Unidos. Mortes são freqüentes, e, assim como as oito cruzadas anteriores, a nona foi um fracasso total.
Graças ao Bush, a antiga rivalidade entre Ocidente e Oriente voltou à tona, o que deixou o mundo em uma tensão com poderes para ser causadora de uma futura Terceira Guerra Mundial. Espalhar o medo e a guerra pelo mundo todo... não seria um ato terrorista?
Mas, o que é mais importante para o mundo? O símbolo de poder da maior potência mundial, ou milhares de vidas insignificantes, em um lugar empoeirado na Terra? O que vale mais, apoiar o Agressor Agredido, ou a verdade que está a favor de um povo miserável? Para os lucros de um país, “vamos defender a honra ofendida dos Estados Unidos, por Deus”!
E com essa lógica, o Agressor Agredido vai atacando, usando o Cavalo Branco à frente, escurecendo o dia e fazendo com que as nuvens presas ao passado voltem ao nosso céu... e dessa vez, não há previsão de tempo bom amanhã...

domingo, 9 de setembro de 2007

O Presidente Analfabeto e a Moral Brasileira

Dia normal para uma família brasileira: calor acima dos vinte e cinco graus, todos reunidos torno da televisão, como se cultuassem um deus. O pai, homem digno e trabalhador, é o presidente de uma empresa de médio porte. Ah! Nada como observar uma típica família da classe média brasileira se reunindo à noite!
Na televisão, o velho PAN-TAM: notícias dos jogos pan-americanos, ou do acidente aéreo da TAM. Diziam os críticos que o Governo estava escondendo seus podres através dos jogos Pan Americanos, – que em mais de 70% só foi usufruído pela classe média e a burguesia desse país - para que o povo esquecesse o que havia acontecido no país. Mas, o que teria acontecido afinal?
O pai, sentando-se ao lado de sua mulher, que estava claramente irritada em perder o programa de fofocas do canal concorrente, diz:
- A culpa é desse governo ineficiente!
- Mas também, queremos o que com um presidente analfabeto?- responde a mãe, arrancando um sorriso do pai.
Não desrespeitemos a opinião do nobre casal, afinal, nesse país a classe média sempre é tida como culta (come mortadela e arrota filé mignon).
Como a informação brasileira tem um formato muito próximo ao de um iceberg (só se vê o superficial, o que está nas entranhas, o que está submerso, não resolvem mostrar. Assustaria, não é mesmo?), esquecem-se os fatos que co-relacionam os acontecimentos.
O primeiro fato a ser lembrado é a posição da televisão brasileira.
A Rede Globo de Televisão foi a maior força de apoio à Ditadura Militar, que corroeu duas décadas do nosso país. A Globo, com seu padrão burguês, sempre foi direcionada à direita política do nosso país. Apoiou o Governo Collor, o Governo Fernando Henrique Cardoso (dólar a R$ 3,60, lembram-se?Além de retirar o poder governamental sobre a ANATEL, refletindo hoje nos altos preços da tarifa de telefonia)e sempre criticou o governo Lula. Então, como o Governo só passaria Pan na televisão, se a Globo quase monopoliza o horário nobre? O pobre casal se esqueceu disso!
O segundo fato é que a pista do aeroporto de Congonhas, colocada sempre como grande culpada do acidente aéreo que ocorreu há mais de um mês, não é analisada por uma empresa contratada pelo Governo Federal. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas, do Governo do Estado de São Paulo, é quem se responsabiliza pela análise técnica da pista e dá o parecer se o solo está em condições ou não de uso.
Os jornalistas brasileiros, que entendem de bolinho de carne à cibernética, tentaram culpar o governo novamente, colocando depoimentos de pilotos nos principais jornais do Brasil. O engraçado foi ver que todos eram da Tam.
Enquanto isso, o casal continua assistindo o noticiário, descobrindo que o depoimento de um dos pilotos que havia pilotado o Airbus A320 já tinha sido dado. O conteúdo, como foi dado pela televisão, era de que o problema estava na pista de Congonhas e não no avião.
O pai, pensando no jogo do Mengão no Maracanã, se esquece que a própria Airbus havia dado um parecer de que o avião não poderia pousar em uma pista com menos de dois quilômetros de extensão. Isso em dias secos! (Opa! Congonhas não chega a ter uma pista de dois quilômetros e a chuva já havia molhado o solo paulistano). E a mãe, querendo assistir cenas do aniversário de nove anos de uma garotinha filha de uma ex-atriz pornô (que depois foi considerada Rainha dos Baixinhos!), se esquece de observar que a advogada do piloto usava uniforme da TAM. Como somos um povo em que a honestidade caminha sutilmente em nossa história, claramente não poderíamos afirmar que a advogada já havia mostrado ao piloto o que ele teria que dizer, afinal, um homem nunca perderia o emprego por dizer o que sente!
Foi ineficiência governamental? Difícil dizer, não é mesmo? Principalmente para o filho do casal, o Rei sem terra, que se preocupa mais em saber se as ondas do mar estarão propícias para o surfe amanhã, do que com o que o país será quando em um futuro próximo. Mas, assim como temos cento e oitenta e cinco milhões de técnicos, temos cento e oitenta e cinco milhões de doutores em Ciências Políticas. E, numa conversa sobre política, o nosso Rei dá seu palpite em claro e bom tom “A culpa é do governo, como podemos ter um presidente analfabeto para cuidar do nosso país!?”
Antes um asno que me carregue, do que um cavalo que me derrube!
Como o caro leitor percebeu, temos nesse humilde texto uma afirmação que se repete. “O problema do Brasil é que o presidente é analfabeto!”
Temos um presidente analfabeto? Garanto que nem o nosso presidente sabia dessa.
Afinal, como um analfabeto pode fazer um discurso muito mais decente e convincente do que o outro candidato, que passou mais de quinze anos na escola? Como um analfabeto pode fazer o melhor governo – isso não quer dizer muito quando se trata do Brasil - que esse país teve em um longo período de tempo?
Não, o nosso presidente não é analfabeto. E, mesmo que fosse, não seria problema algum. O que adianta termos um presidente que viajou para o exterior, fala inglês e foi o melhor aluno na Universidade de São Paulo, se o homem não tem visão alguma sobre o que ocorre nesse país? Teríamos outro Jânio Quadros tentando fazer São Paulo virar Londres na calada da noite! Escolaridade é algo bem diferente de cultura e de inteligência!
O ser humano tem a capacidade de aprender sozinho, senão eu não estaria usando um computador para escrever esse texto. Nossa cabeça é capaz de raciocinar e ter uma conclusão sobre um assunto sem termos que ir à escola para que alguém nos diga isso.
Dizer que um ser humano não é capaz só porque não tem um diploma é um erro. A escola nos direciona, nos apresenta desafios e nos prova. Mas isso não é o suficiente. A maior escola da vida, é a própria vida. Se todo humano dependesse de um professor para aprender sobre tudo, seríamos uma sociedade robótica, pois só iríamos reproduzir o que uma mente nos mandou fazer. Pensando bem... se formos na rua e observarmos as pessoas, parece que essa idéia não está tão absurda assim, não é mesmo?
O nosso presidente não é incapaz e nem burro. O que os cultos sempre dizem comprova isso. Oras, o brasileiro não é o povo alegre e inteligente que consegue se virar de vento e popa com quinhentos reais por mês? O presidente pode não ter sido rico em estudos, mas bem que deu uma surra no candidato do PSDB, o digníssimo Geraldo Alckmin (que até a Opus Dei pertence!), que só soube dizer em sua campanha a célebre frase: ”Vamos ampliar e melhorar.”
Quem seria o incapaz? Aquele que não estudou e venceu ou aquele que passou metade da vida na escola e perdeu? E além do mais, um médico não é melhor do que um metalúrgico como economista, agricultor, político, engenheiro...
Porém a boa família da classe média não entende isso. E, enquanto eu escrevo esse texto, o culto Rei (estuda no colégio mais caro da cidade, de alta sociedade!) está apostando corrida de carros. Esse seria um melhor presidente do que o que nós temos agora? Se partirmos do pressuposto de que só quem está na escola é bom...
A moral desse país não pode ter seus índices baixos justificados na falta de escolaridade do presidente. Há outros fatores nessa neblina.
O primeiro fator, um dos mais importantes, é que nunca no Brasil foi feito um processo de identificação com a nação.
Somos uma nação que só se enche de orgulho de quatro em quatro anos, quando colocamos a camiseta da seleção brasileira e ficamos em frente a uma televisão assistindo Kaká e Robinho pensarem em seus contratos europeus e se esquecerem da bola. Até mesmo quando foi declarada a Independência do Brasil, o nosso rei estava pensando em um dia reunir esse país a Portugal.
E esse verme nos corroeu sempre, pois a burguesia brasileira sempre manteve esse pensamento de colônia, ou seja, prefere mais o estrangeiro (no caso a “metrópole”) ao próprio Brasil. Parece mentira, mas pense melhor, caro leitor: qual é o seu país preferido? A Inglaterra e seu rock, os EUA e o glamour de Nova York, a França e La Tour Eiffel? Quantos escolheriam o Brasil? Nem naquela família de classe média, que agora assistia à novela das nove horas, teríamos um indivíduo que não sonharia morar em outro país.
O segundo ponto é...que moral o brasileiro tem? É possível se ter uma moral quando a burguesia sempre joga na cara do povo que tudo o que vem de fora é melhor que o nosso? É possível se ter uma moral quando a hipocrisia nos faz falar contra as drogas e enquanto isso nossos filhos são drogados? É possível se ter uma moral quando se sabe que a força mais poderosa do país é mais corrupta e conservadora do que o Congresso Nacional? É possível se ter uma moral quando somos todos recrutados a seguir sempre a mesma regra? Por falar em regra...que regra seria essa?
Voltemos a nossa querida família de classe média. A mãe leu na revista que comer carne faz mal aos pulmões. Pronto! A família na hora para de comer carne, pois não quer perder os pulmões. O filho viu que todos começaram andar de skate, usar cabelo com gel e ouvir a mesma musica. Explicação do Rei? “Pra catar mina, pô! E é musica de macho, não aqueles de preto, bando de retardado.” Depois disso, ele vai assistir Malhação e rir do ridículo personagem Bodão imitar de forma pejorativa uma parcela de pessoas da sociedade. Com essa visão, fica claro que a televisão e as revistas são as grandes formadoras de opinião. E com um mecanismo pequenino, quase imperceptível, manipula as pessoas: a moda.
Alguém aí se arriscaria a usar listrado com xadrez? Ou então um homem vestir um vestido? É errado? Pelas tradições e pela moda sim. Listrado e xadrez não combinam e vestido é coisa para mulher... mas não veste um e outro da mesma maneira?
Além da moda, também citemos a hipocrisia. Nos jornais lemos que o Brasil é um dos países com menores índices de preconceito? Seria verdade? Não.
A sociedade brasileira é totalmente preconceituosa. O pai daquela família proibiu o namoro do filho porque a garota era negra. Além de exclamar a plenos pulmões que foi um bando de índios que havia pichado o centro da cidade na noite passada, mal o nosso senhor sabia que o filho dele era um dos possíveis “índios”.
Não percebemos, mas a todo instante cometemos algum tipo de preconceito. Alguns, de mente bitolada, dizem: “eu não tenho preconceito”. Mas é só ver um carro pintado com uma cor muito vibrante que logo diz: “Que carro de baiano!”
Como um povo que quer ter moral pode ter preconceito com seus próprios irmãos e no preconceito racial, contra seu próprio sangue – e nem venham os “negros” se fazerem de coitados, pois há muito preconceito racial nesse lado da história também - e contra seu próprio povo?
Além do mais, a juventude da qual faz parte o Rei e todos aqueles entre 15-20 anos, assistia uma atriz pornográfica ser considerada a Rainha dos Baixinhos no país. cantavam e dançavam as musicas dela, com incentivo dos pais! Aí de noite, esses mesmos pais, assistem o jornal das 20:30, que costumava ser apoio para o Regime Militar e hoje se diz “democrático”. Cristo é a mesma coisa que corinthiano ver que o São Paulo está em alta e dizer que agora torce pro São Paulo!
Essa é a moral do brasileiro! Esse é o nosso jeito de viver! Viva o país que vive de rebolados e de uma mídia controladora! Viva a nossa juventude, muito pensante, filosofando se o professor faz o que é certo ou não! Viva as classes dominantes, que são tão inteligentes e cultas que em 500 anos não conseguiram fazer o país avançar três centímetros.
Por fim, a conclusão sobre o presidente é a velha frase: antes um asno que me carregue, do que um cavalo que me derrube!
E então... a família vai dormir, para amanhã um novo dia nascer e tudo o que hoje foi feito e preparado, amanhã não seja continuado...


by Rodrigo Almeida

O Olho Esquerdo

O Olho Esquerdo! O nome é uma pequena brincadeira, visando uma visão de esquerda sobre determinados assuntos. Estava na hora de tomar coragem e começar a fazer algo mais sério, portanto, espero publicar artigos semanalmente, com assuntos do dia-a-dia (principalmente de abordagem política e econômica).
Sejam todos bem-vindos!
Atenciosamente,
Rodrigo Almeida