Ah! Nada como um ano eleitoral! Pessoas discutindo sobre quem será o novo prefeito, reunião em botecos com candidatos falando mais do que se deve e gráficas ganhando dinheiro para emporcalhar a cidade com panfletos.
Numa cidade pacata com o estranho nome de Pau Podre, o prefeito “Chucro” e seu séquito de Assessores Sucessivamente Nomeados e Ordenados para as Secretarias (os A.S.N.O.S., como são conhecidos os competentíssimos secretários) voltam do recesso de três anos para o árduo trabalho. Ruas começam a receber novo pavimento, projetos que estão engavetados desde as eleições passadas têm seu passo inicial dado... A mesma cena teatral vista de quatro em quatro anos.
A cidade é conhecida em toda a sua região por ter umas das populações mais pobres e carentes de todo o estado do qual faz parte. Esse povo pouco instruído e certas vezes ignorante reflete em sua Câmara de Vereadores e na Prefeitura do Município.
Como diria Malatesta no livro “O Anarquismo e a Democracia Burguesa”, o sistema representativo (as eleições em que os cidadãos escolhem alguém para representá-los no poder Legislativo ou no Executivo) apresenta grandes falhas. Estas acrescentadas a um meio onde a carência e a falta de assistência do Estado imperam, vão se multiplicando e aprofundando, tornando as eleições um verdadeiro palco de ilusões.
Quais seriam as falhas de um sistema representativo?
Para tal questão ser resolvida podemos usar o exemplo de Pau Podre para estudarmos.
A população paupodrense, assim como a de vários outros municípios Brasil afora, não dispõe de serviços que deveriam ser livres e gratuitos a todos (pelo menos assim está na nossa corretíssima Constituição, que também dá direito aos marginais saírem da cadeia para passarem o Natal com a família).
- Como assim não tem serviços!? - perguntam os A.S.N.O.S., em defesa de seu trabalho - Pau Podre dispõe de um hospital, uma maternidade e dois pronto-socorros!
Realmente a cidade dispõe de alguns serviços como: Farmácia do Povo, Hospital Geral, dois Pronto-Socorros e alguns Conjuntos de Habitação.
Por se tratar de uma localidade onde várias famílias têm uma renda média abaixo dois salários mínimos por mês, o que foi feito além de ser ineficiente, também é insuficiente. Portanto, não resolve os problemas da população.
Os vereadores e os candidatos ao cargo, sabendo dessa carência da população, começam a fazer uma política assistencialista antes da eleição para angariar votos. Atrás da neblina de sorrisos e abraços dos candidatos, surge o primeiro defeito de um sistema representativo.
Esse defeito é a ilusão que os candidatos passam ao povo. Com cestas básicas, ajuda de custo, doação de remédios (a Farmácia do Povo não dispõe de todos os remédios. Alguns só são comprados em uma farmácia comercial e os preços são absurdamente inatingíveis para um trabalhador que vive para pôr as contas em dia e não deixar a fome e a miséria se instalarem em suas casas) e promessas de emprego, eles conseguem atrair uma parcela da população a seu favor. Sem nenhuma proposta ou preocupação em trazer idéias que ajudem a dar uma melhor administração ao município, eles acabam sendo eleitos por terem suprido temporariamente as necessidades de um povo que sem assistência, devota-se à esperança da melhora e acaba sendo iludido por esmolas.
A ilusão do povo não é feita apenas pela aparência de ser uma pessoa que cuidará de sua carência.
A visão de qualquer indivíduo da sociedade um sobre um político é um homem vestido em um terno e gravata, sem nenhum sotaque, rico e instruído. Essa é a impressão que eles querem realmente passar: pais de família, homens de bem, bem sucedidos, perfeitos para ocuparem os cargos. O eleitor, ao ver o homem falar corretamente e estar bem vestido, acaba achando que aquele é o homem correto em quem votar.
Como evitar que a população mal instruída, em uma sociedade tão materialista quanto a nossa, não seja impulsionada a votar em candidatos assim? Difícil, muito difícil.
Obviamente não são todos os candidatos que serão ruins, mas a grande maioria, aquela que comandará a Câmara (lembrando que: no sistema representativo, mesmo se teu candidato for escolhido, ele não poderá fazer a tua vontade, pois mesmo como vereador, ele é uma ínfima fração junto a vários outros eleitos), será feita por homens sem propostas, sem qualquer interesse na prosperidade do município e sim em ocupar um cargo onde possa melhorar a saúde de sua conta bancária.
Já no caso dos que foram eleitos no pleito que se passou, o caso é outro. Em Pau Podre, na campanha passada, o prefeito Chucro não precisou apresentar muitas propostas para vencer as eleições.
Assim como vários outros prefeitos, governadores e até presidentes em várias nações, desde a República Federalista da Alemanha até nos Estados Unidos da América, usou-se o velho processo do continuísmo. O que seria o continuísmo?
O continuísmo, outro problema que qualquer nação democrática enfrenta, nada mais são do que os antigos projetos feitos no governo anterior e que nunca foram terminados. O prefeito vendo a proximidade das eleições começa a fazer as obras que, pelo prazo, deveriam estar concluídas.
No caso de Pau Podre, o prefeito fez um projeto de construir uma avenida ligando o sul da cidade à divisa com o município de Flor Vermelha. O Governo do Estado, incentivando uma obra de um prefeito do mesmo partido do governador, mandou dinheiro suficiente para construir uma avenida digna de uma cidade rica. No entanto essa avenida, que no projeto teria mais de seis quilômetros, não tem nem um terço do trecho total concluído.
O por quê do atraso? Desvio de dinheiro nas obras e, obviamente, falta de interesse do Senhor Chucro em fazer o serviço bem feito. Ao ver que as eleições estão próximas, o prefeito recapiou debilmente várias avenidas da cidade (que ficaram mais costuradas do que a cara do Frankenstein) e finalmente revitalizou o projeto da avenida.
O povo ao ver as obras em andamento, se esqueceu da ineficiência anterior e diz que o prefeito Chucro é um homem bom para governar a cidade. No caso do Chucro, ele não poderá ser candidato, pois já é um prefeito reeleito. Mas mesmo assim trabalha para que alguém, nem que seja seu filho, continue o trabalho porco que foi feito até então.
Esses três problemas do sistema representativo fazem com que uma cidade quase sem renda e humilde como Pau Podre fique a mercê de qualquer indivíduo que consiga a simpatia da população (seja lá qual for o método usado para tal).
Para um sistema representativo ser mais bem aplicado, tem que haver uma série de atividades em que a população teria que ter contato com a vida política do município. Algumas atividades seriam: cobrar dos seus candidatos todas as promessas feitas antes do processo eleitoral, protestos se algo fosse contra o interesse do município, visão do quanto de gasta nas obras públicas e o quanto o município arrecada em receitas...
Porém como a população paupodrense – que, em uma grande maioria não tem o Ensino Médio completo – irá conseguir exigir algo do qual não faz idéia de como funciona?
Está aí a grande questão.
Em Pau Podre, assim como em muitos lugares do Brasil, os cidadãos não têm interesse por política. Por que?
Já dizia Karl Marx no livro “A Questão Judaica” que, em uma sociedade burguesa, as pessoas pensam mais em seus direitos e acabam se esquecendo de seus deveres. O ser humano, com o passar do tempo, tornou sua liberdade individual no individualismo, se tornando egoísta e conseqüentemente não mais pensando no bem comum.
Em Pau Podre não se faz exceção. As pessoas não desenvolveram a consciência de que a política é importante, sempre se manteve o pensamento de que “todos os políticos são iguais” e que “a cidade é um lixo”, por isso tanto faz em quem votar. Se a cidade é um lixo, cabe aos cidadãos transformá-la em algo melhor. Comodismo não levará a lugar algum.
E não é só o pobre que tem essa mentalidade. Aqueles que dispõem de uma situação financeira mais saudável (os pseudoburgueses da cidade), tem uma posição não muito diferente do restante da população. Por terem um maior poder aquisitivo, a pseudoburguesia se faz à parte de tudo o que acontece no município, como se isso não fosse do interesse “real”. Curiosamente, é dessa pseudoburguesia que saem boa parte dos futuros A.S.N.O.S e candidatos.
Os candidatos pseudoburgueses são os que quase não usam a cidade para nada, pois acham que nada em Pau Podre presta (mas para ganharem um cargo é claro que o “lixo” serve). Sempre estão em cidades vizinhas para fazerem compras e só se consideram paupodrenses na época da eleição. Por terem dinheiro, a população os considera cultos e leigos (em terra de cegos, quem tem olho é rei, não é mesmo?).
Como esses candidatos podem ser de alguma valia ao município se a primeira coisa em suas mentes é morar em outro lugar? Com certeza de nenhuma valia. Mas serão eles - na maioria das vezes com outros familiares também políticos de sucesso na cidade para dar apoio na campanha - que irão angariar a maioria dos votos em Pau Podre, principalmente para o cargo de prefeito (“o homem é bão!”).
Além dos pseudoburgueses, existem os candidatos da esquerda da cidade. Essa esquerda quase não tem representatividade, tanto que só existe um candidato atualmente de esquerda na Câmara. O por quê?
A esquerda é composta tanto por alguns pseudoburgueses lunáticos pelo socialismo utópico, quanto por candidatos mais pobres, quase sem conhecimento do que é realmente ser um vereador ou prefeito. Certas vezes, candidatos são lançados sem a mínima noção do que irão fazer se forem eleitos (João do Queijo, Aninha da COHAB...) e isso dá descrédito em relação ao que a população pensa. Além do mais, por serem candidatos mais humildes, as campanhas são bem menos “requintadas” quanto à dos pseudoburgueses.
A conclusão a ser tirada a partir daí é de que não é só quem irá às urnas apenas para dar o seu voto é ignorante. Os políticos também são. O prefeito, por exemplo, lembra mais um chefe de uma secretaria de obras do que um prefeito: as únicas obras que foram feitas em seus anos de mandato são obras como ampliação de avenidas, canalização de córregos e a construção de um calçadão mal-feito. Enquanto isso, a gestão administrativa (principalmente na área das finanças), a educação, a saúde, o incentivo ao esporte... todas continuam na estaca zero.
Com todo esse estudo, chega-se a conclusão de que nesse ano de 2008, as eleições em Pau Podre, assim como em vários lugares no Brasil, não será muito diferente do que sempre foi.
O sistema representativo irá ter suas falhas novamente abrangidas e preenchidas pelos vermes da corrupção e dá má fé, povo novamente será iludido e as mesmas figurinhas carimbadas irão assumir os cargos...
Essa situação desastrosa um dia terá que ser mudada. Mas para isso, terão que ser destruídos alguns conceitos que hoje estão em alta.
O primeiro deles será o individualismo. O individualismo (a pessoa só pensar em si mesma, só em seus interesses, os outros não interessam) terá que ser destruído para que todos os membros da sociedade possam se interagir de uma maneira em que pensem em meios que gerem frutos à cidade, ao país...
Para isso ser feito, contudo, terá que ser dado o passo crucial: a conscientização da população. Essa conscientização seria um processo longo no qual a mídia teria um papel fundamental. Se a mídia é formadora de opinião, conseguirá, com uma boa programação, auxiliar a tornar o povo mais pensante. Mas isso não é de interesse da mesma, afinal a burguesia, quem a comanda no Brasil, teria seu poder questionado pelos cidadãos e por fim perderia poder.
O objetivo seria formar cidadãos pensantes, cidadãos que contestariam à realidade e não fossem adeptas ao comodismo. Lutar por seus direitos, cumprir seus deveres como cidadãos.
Esse é um processo longo, no qual a escola também teria seu papel: formar cidadãos pensantes. Em vez do lixo do nosso sistema educacional atual, teríamos que ter um sistema que os alunos saíssem da escola com algo além de uma boa informação (coisa que não temos hoje): consciência social e política. Não se faz um país sem educação, a Coréia do Sul e o Japão são bons exemplos disso e seria ótimo que o Brasil seguisse o exemplo.
Focando em Pau Podre, além da educação, teria que reestruturar também o sistema da Saúde, dos Transportes, do Planejamento, da Cultura e do Lazer... enfim, dar à cidade uma estrutura para que os cidadãos possam ter melhores condições de vida e mais opções a cultura e lazer.
Nessas eleições com certeza nada disso será feito, afinal esse é um processo longo e que levará anos para surtir efeito. Enquanto isso, os A.S.N.O.S e os incompetentes de sempre terão mais três anos de férias...
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
domingo, 2 de dezembro de 2007
Fim de Papo
Fim de papo no Brasileirão 2007. Hoje finalmente tivemos os resultados das principais novelas que abalaram o país. O primeiro caso, é claro, Corinthians e sua luta para o rebaixamento e do outro lado, a briga pela vaga na Copa Libertadores da América de 2008.
No caso da novela corinthiana, um final pouco esperado.
Os times do Goiás, Paraná e Corinthians disputavam a última vaga de permanência na elite do futebol brasileiro. O Corinthians era o favorito à permanência, pois dependia apenas de si para sobreviver, enquanto Goiás e Paraná precisariam vencer e torcer pela derrota corinthiana.
E como no futebol nem sempre o favoritismo é a certeza da vitória, o Corinthians caiu. Caiu depois do Goiás vencer o Internacional enquanto o time paulista empatava com o Grêmio no Estádio Olímpico Monumental. Mas... será que o Timão caiu hoje? Será que não caiu há muito tempo atrás, nos tempos da sujeira em que o Corinthians foi submetido?
Para o goleiro corinthiano, Felipe, o time caiu porque o Internacional abriu as pernas para o Goiás. Há muito tempo que ele anda falando muita bobagem e com certeza não viu as três cobranças de penalty, sendo que duas foram defendidas pelo goleiro colorado. Mas espere um pouco, o Corinthians dependia de si, de seu time, de uma vitória para vencer! “A camisa do Corinthians joga sozinha”, logo o provável seria que mesmo se o Internacional abrisse as pernas, o “Todo-Poderoso Timão” vencesse mostrando seu poder! Calma Felipe! O jeito é em vez de chorar, batalhar pela Primeira Divisão.
Do outro lado da tabela, tivemos times sendo favorecidos e se classificação de forma suspeita.
O Flamengo, time de coração de Ricardo Teixeira, conseguiu a tão sonhada classificação a Libertadores da América. Porém, o seu mais ilustre torcedor de alguma maneira usou a instituição em que trabalha (a Confederação Brasileira de Futebol, no caso a responsável pela organização do Campeonato Brasileiro) para favorecer o seu time.
Pelo amor de Deus! Dez jogos consecutivos em casa? Até o América do Rio Grande do Norte conseguiria a classificação. E para deixar ainda mais escancarado, um jogador do Flamengo foi punido com o afastamento, o Flamengo entrou com liminar e esta foi aceita. Já o Valdívia, jogador do Palmeiras (clube que brigava diretamente pela vaga na Libertadores), não conseguiu a liminar e por conta disso, o Palmeiras sentiu-se desfalcado e morreu na quinta posição, conquistando apenas a classificação para a Copa Sulamericana. Além do mais, o Palmeiras foi roubado em Porto Alegre no jogo contra o Internacional, enquanto o Flamengo teve gol impedido sendo validado.
O Cruzeiro, time que vinha lutando com o Palmeiras e com o Grêmio pela vaga, acabou vencendo o América do Rio Grande do Norte e alcançando a tão sonhada classificação para o maior torneio internacional.
Os erros de arbitragem, sendo para favorecer ou não, foram a grande marca desse Campeonato Brasileiro de 2007. O campeão São Paulo, por exemplo, teve quinze pontos dados pelo apito amigo. É claro que errar é humano, mas errar cinco jogos a favor do mesmo time... é estranho.
Contudo, merecido foi à vitória do São Paulo e parabéns. Para os que disputarão a Libertadores e a Sulamericana, boa sorte. E para quem caiu, melhoras no ano que vem.
Em 2008 alias, resta a todos os torcedores torcer para que as diretorias tomem consciência do que estado em que se encontra o futebol nacional e que tenhamos um ano em que o bom futebol brasileiro prevaleça contra as falcatruas e marmeladas de dirigentes e juizes.
No caso da novela corinthiana, um final pouco esperado.
Os times do Goiás, Paraná e Corinthians disputavam a última vaga de permanência na elite do futebol brasileiro. O Corinthians era o favorito à permanência, pois dependia apenas de si para sobreviver, enquanto Goiás e Paraná precisariam vencer e torcer pela derrota corinthiana.
E como no futebol nem sempre o favoritismo é a certeza da vitória, o Corinthians caiu. Caiu depois do Goiás vencer o Internacional enquanto o time paulista empatava com o Grêmio no Estádio Olímpico Monumental. Mas... será que o Timão caiu hoje? Será que não caiu há muito tempo atrás, nos tempos da sujeira em que o Corinthians foi submetido?
Para o goleiro corinthiano, Felipe, o time caiu porque o Internacional abriu as pernas para o Goiás. Há muito tempo que ele anda falando muita bobagem e com certeza não viu as três cobranças de penalty, sendo que duas foram defendidas pelo goleiro colorado. Mas espere um pouco, o Corinthians dependia de si, de seu time, de uma vitória para vencer! “A camisa do Corinthians joga sozinha”, logo o provável seria que mesmo se o Internacional abrisse as pernas, o “Todo-Poderoso Timão” vencesse mostrando seu poder! Calma Felipe! O jeito é em vez de chorar, batalhar pela Primeira Divisão.
Do outro lado da tabela, tivemos times sendo favorecidos e se classificação de forma suspeita.
O Flamengo, time de coração de Ricardo Teixeira, conseguiu a tão sonhada classificação a Libertadores da América. Porém, o seu mais ilustre torcedor de alguma maneira usou a instituição em que trabalha (a Confederação Brasileira de Futebol, no caso a responsável pela organização do Campeonato Brasileiro) para favorecer o seu time.
Pelo amor de Deus! Dez jogos consecutivos em casa? Até o América do Rio Grande do Norte conseguiria a classificação. E para deixar ainda mais escancarado, um jogador do Flamengo foi punido com o afastamento, o Flamengo entrou com liminar e esta foi aceita. Já o Valdívia, jogador do Palmeiras (clube que brigava diretamente pela vaga na Libertadores), não conseguiu a liminar e por conta disso, o Palmeiras sentiu-se desfalcado e morreu na quinta posição, conquistando apenas a classificação para a Copa Sulamericana. Além do mais, o Palmeiras foi roubado em Porto Alegre no jogo contra o Internacional, enquanto o Flamengo teve gol impedido sendo validado.
O Cruzeiro, time que vinha lutando com o Palmeiras e com o Grêmio pela vaga, acabou vencendo o América do Rio Grande do Norte e alcançando a tão sonhada classificação para o maior torneio internacional.
Os erros de arbitragem, sendo para favorecer ou não, foram a grande marca desse Campeonato Brasileiro de 2007. O campeão São Paulo, por exemplo, teve quinze pontos dados pelo apito amigo. É claro que errar é humano, mas errar cinco jogos a favor do mesmo time... é estranho.
Contudo, merecido foi à vitória do São Paulo e parabéns. Para os que disputarão a Libertadores e a Sulamericana, boa sorte. E para quem caiu, melhoras no ano que vem.
Em 2008 alias, resta a todos os torcedores torcer para que as diretorias tomem consciência do que estado em que se encontra o futebol nacional e que tenhamos um ano em que o bom futebol brasileiro prevaleça contra as falcatruas e marmeladas de dirigentes e juizes.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
A Volta de Quem Não Foi
Ao término da Segunda Guerra Mundial o mundo pensava que o nazi-fascismo havia sido expurgado completamente, principalmente com Mussolini enforcado e Hitler se suicidando. Porém, uma idéia que foi simpatizada por tantos, inclusive Getúlio Vargas, pode ser destruída apenas com a morte de seus líderes?
Não, não pode. O nazi-fascismo, como diria Hitler, sobreviveria à derrota da Segunda Guerra. E, por mais que Hitler pudesse ser tão lúcido quanto um bêbado, nesse ponto ele realmente tinha razão.
Hitler e Mussolini conseguiram passar uma idéia de beleza em cima do nazi-fascismo. Afinal ser a raça superior, com a idéia de pertencer a um grupo acima dos outros, é bem vindo em um mundo egoísta e individualista como o nosso.
Nos últimos meses, por toda a Europa, estamos vendo as ações dos neonazistas e o mundo se mantém calado, deixando o verme crescer no coração das nações.
Na Alemanha, principalmente na zona da antiga Alemanha Oriental (mais pobre e atrasada que o lado Ocidental), alguns grupos de extrema direita andam propagando idéias nazistas para crianças de cinco a doze anos. A polícia alemã achou livros para colorir com imagens de Hitler, gibis explicando a base da teoria nazista (o dever da raça ariana, a “beleza” do mundo nazista...) e vários outros tipos de material que incentivam as futuras gerações a apoiarem o nazismo.
Nos Estados Unidos, a tão “sagrada” terra da Liberdade, existe um prédio do Exército que é uma suástica, visto do céu. Isso por que é a terra da Liberdade, onde as pessoas são iguais (só se for na teoria...)!
Na Itália, manifestações de caráter fascista são feitas em lugares públicos, como em estádios de futebol, sem resultar em prisões. Já houve jogador da Lazio comemorando gol em forma a saudar Mussolini além de suásticas em bandeiras e até em pichações em arquibancadas. O caso mais recente foram os tumultos que torcedores fascistas fizeram após um policial atingir sem querer um torcedor que fazia parte desses grupos. Resultado? Duzentos terroristas invadiram uma delegacia de polícia em Roma, além de mortes e setenta policiais feridos.
O engraçado é ver como a ignorância se propaga tão rápido em mentes fracas. Até mesmo aqui no Brasil, terra de “raça inferior por ser mestiça” segundo Hitler, existem movimentos neonazistas.
Esses neonazistas, ao contrário dos europeus, são ignorantes a ponto de fugirem totalmente à regra da teoria que seguem. Pela teoria do nazismo, a raça pura ariana (que para os romanos eram os bárbaros) teria superioridade sempre. A música, a arte, a cultura, as idéias, todas deveriam ser alemãs e não de outros lugares do mundo. Mas no Brasil, qual seria a raça pura? Os indígenas?
Então, pelo lógico da teoria proposta por Hitler, no Brasil teríamos que matar 90% da população (além de termos que nos suicidar), e quem sobrevivesse, destruiria todos os ritmos musicais (só deixando moda de viola e bossa nova), além de vestir tangas e falar dialetos muito distantes do nosso português.
“Ah! Mas o projeto de crescimento alemão na época e os feitos atingidos pelos alemães foram uma revolução!” Esse tipo de argumento fraco, porém muito usado mostra como a verdade foi desfigurada ao passar do tempo.
O projeto de crescimento alemão tem lá sua grandiosidade por erguer o orgulho de uma nação humilhada após a Primeira Guerra Mundial. Hitler conseguiu fazer o povo se sentir capaz, mesmo que para isso tenha usado idéias tão tolas.
Por outro lado, esse projeto de crescimento alemão não se diferencia dos planos qüinqüenais vividos na União Soviética de Stálin. Os dois paises buscaram planificar a economia, fazendo assim metas de crescimento. Para ambos os lados o projeto deu certo, mas comprova de que esse crescimento não se deu por conta do nazismo e sim por conta da organização e direcionamento do progresso na Alemanha.
Já as forças armadas alemãs, fortes e bem organizadas, tiveram grandes façanhas, mas nunca foram as melhores do mundo.
A blitzkrieg, o ataque arrasador nazista, foi muito eficaz e funcionava dessa maneira: os aviões da Luftwaffe (Força Aérea Alemã) entravam em campo inimigo bombardeando, vindos de todas as direções. Sem deixar espaço de tempo, os poderosos tanques Panzerkamftwagen 3 e Panzerkampftwagen IV Tiger, atacavam os campos inimigos, seguidos por divisões de homens da Wehrmatch (o Exército Alemão), que asseguravam a vitória e ocupavam o território inimigo. Enquanto isso, no litoral, a Kriegmarine (Marinha Alemã) atacava os portos inimigos, interrompendo a chegada de mantimentos e ainda conseguindo desembarcar tropas. Tudo era feito muito rápido, para que o inimigo ficasse “tonto” com o ataque rápido, o que dava a impressão que os alemães vinham por todos os lados.
A blitzkrieg foi capaz de destruir a Polônia, a França, a Dinamarca e quase todos os paises bálcãs e mais alguns bálticos.
Em 1940, parecia que a vitória alemã seria fácil e rápida, pois ninguém segurava a blitzkrieg. Então, para destruir a Europa Ocidental de uma vez por todas, Hitler se lança contra a Inglaterra. A poderosa Luftwaffe e a Kriegmarine juntas para destruírem o Reino Unido. O que aconteceu?
Na maior batalha aérea que já aconteceu, a Batalha da Inglaterra, a Royal Air Force, mostrando bravura e coragem (afinal os Stukas e os Messerschimitts alemães eram muito superiores aos Spitfires e Bandits ingleses), derrotaram os alemães, conseguindo destruir uma boa parte da frota da Luftwaffe. A partir daí, a Luftwaffe só saberia o significado da palavra derrota, em todas as operações até que em 1944 seria reduzida a um campo de pouso em Berlim com pouquíssimos aviões.
Já a Kriegmarine não chegou a invadir a ilha, pois a frota britânica massacrou os alemães no Canal da Mancha, impossibilitando a invasão de tropas.
A Wehrmatch, com a Waffen SS (tropa de elite alemã), são conhecidas hoje como o melhor exército que o mundo já viu. Triste engano!
A Wehrmatch seria derrotada na União Soviética, não só pelo poderoso exército russo (esse sim o melhor exército do mundo!) e sim pela população. Os alemães levaram mais de um milhão de homens para a União Soviética, voltaram menos de cem mil. O que sobrou da Luftwaffe virou pó em território soviético e os tanques alemães, já superiores aos do inicio da guerra (os famosos King Tiger Pazer I e King Tiger Panzer II), foram barrados pelos TR-34 e TR-40 soviéticos. A campanha americana do pós-guerra dizia que o frio e a técnica de arrasar a terra salvaram os soviéticos dos alemães. Mas como o frio salvou os soviéticos se a maioria do cerco à Moscou foi feito na primavera e no verão de 1941? Doce ilusão!
O Exército Alemão, a política de crescimento de Hitler... tudo enganação que chega hoje aos nossos ouvidos como feitos heróicos. A Alemanha foi grande, mas foi graças à competência de sua inteligência, que desde 1888 era a melhor do mundo para tudo, menos para perceber que não era infalível.
Hoje em dia, não é mais plausível que idéias que já foram implodidas pela História voltem à tona e tragam a sensação de horror que o mundo sentiu há 62 anos atrás. É bom que os governantes, de todo o mundo, tomem cuidado com essa volta do nazi-fascismo, senão o que já está ruim, ficará ainda pior...
Não, não pode. O nazi-fascismo, como diria Hitler, sobreviveria à derrota da Segunda Guerra. E, por mais que Hitler pudesse ser tão lúcido quanto um bêbado, nesse ponto ele realmente tinha razão.
Hitler e Mussolini conseguiram passar uma idéia de beleza em cima do nazi-fascismo. Afinal ser a raça superior, com a idéia de pertencer a um grupo acima dos outros, é bem vindo em um mundo egoísta e individualista como o nosso.
Nos últimos meses, por toda a Europa, estamos vendo as ações dos neonazistas e o mundo se mantém calado, deixando o verme crescer no coração das nações.
Na Alemanha, principalmente na zona da antiga Alemanha Oriental (mais pobre e atrasada que o lado Ocidental), alguns grupos de extrema direita andam propagando idéias nazistas para crianças de cinco a doze anos. A polícia alemã achou livros para colorir com imagens de Hitler, gibis explicando a base da teoria nazista (o dever da raça ariana, a “beleza” do mundo nazista...) e vários outros tipos de material que incentivam as futuras gerações a apoiarem o nazismo.
Nos Estados Unidos, a tão “sagrada” terra da Liberdade, existe um prédio do Exército que é uma suástica, visto do céu. Isso por que é a terra da Liberdade, onde as pessoas são iguais (só se for na teoria...)!
Na Itália, manifestações de caráter fascista são feitas em lugares públicos, como em estádios de futebol, sem resultar em prisões. Já houve jogador da Lazio comemorando gol em forma a saudar Mussolini além de suásticas em bandeiras e até em pichações em arquibancadas. O caso mais recente foram os tumultos que torcedores fascistas fizeram após um policial atingir sem querer um torcedor que fazia parte desses grupos. Resultado? Duzentos terroristas invadiram uma delegacia de polícia em Roma, além de mortes e setenta policiais feridos.
O engraçado é ver como a ignorância se propaga tão rápido em mentes fracas. Até mesmo aqui no Brasil, terra de “raça inferior por ser mestiça” segundo Hitler, existem movimentos neonazistas.
Esses neonazistas, ao contrário dos europeus, são ignorantes a ponto de fugirem totalmente à regra da teoria que seguem. Pela teoria do nazismo, a raça pura ariana (que para os romanos eram os bárbaros) teria superioridade sempre. A música, a arte, a cultura, as idéias, todas deveriam ser alemãs e não de outros lugares do mundo. Mas no Brasil, qual seria a raça pura? Os indígenas?
Então, pelo lógico da teoria proposta por Hitler, no Brasil teríamos que matar 90% da população (além de termos que nos suicidar), e quem sobrevivesse, destruiria todos os ritmos musicais (só deixando moda de viola e bossa nova), além de vestir tangas e falar dialetos muito distantes do nosso português.
“Ah! Mas o projeto de crescimento alemão na época e os feitos atingidos pelos alemães foram uma revolução!” Esse tipo de argumento fraco, porém muito usado mostra como a verdade foi desfigurada ao passar do tempo.
O projeto de crescimento alemão tem lá sua grandiosidade por erguer o orgulho de uma nação humilhada após a Primeira Guerra Mundial. Hitler conseguiu fazer o povo se sentir capaz, mesmo que para isso tenha usado idéias tão tolas.
Por outro lado, esse projeto de crescimento alemão não se diferencia dos planos qüinqüenais vividos na União Soviética de Stálin. Os dois paises buscaram planificar a economia, fazendo assim metas de crescimento. Para ambos os lados o projeto deu certo, mas comprova de que esse crescimento não se deu por conta do nazismo e sim por conta da organização e direcionamento do progresso na Alemanha.
Já as forças armadas alemãs, fortes e bem organizadas, tiveram grandes façanhas, mas nunca foram as melhores do mundo.
A blitzkrieg, o ataque arrasador nazista, foi muito eficaz e funcionava dessa maneira: os aviões da Luftwaffe (Força Aérea Alemã) entravam em campo inimigo bombardeando, vindos de todas as direções. Sem deixar espaço de tempo, os poderosos tanques Panzerkamftwagen 3 e Panzerkampftwagen IV Tiger, atacavam os campos inimigos, seguidos por divisões de homens da Wehrmatch (o Exército Alemão), que asseguravam a vitória e ocupavam o território inimigo. Enquanto isso, no litoral, a Kriegmarine (Marinha Alemã) atacava os portos inimigos, interrompendo a chegada de mantimentos e ainda conseguindo desembarcar tropas. Tudo era feito muito rápido, para que o inimigo ficasse “tonto” com o ataque rápido, o que dava a impressão que os alemães vinham por todos os lados.
A blitzkrieg foi capaz de destruir a Polônia, a França, a Dinamarca e quase todos os paises bálcãs e mais alguns bálticos.
Em 1940, parecia que a vitória alemã seria fácil e rápida, pois ninguém segurava a blitzkrieg. Então, para destruir a Europa Ocidental de uma vez por todas, Hitler se lança contra a Inglaterra. A poderosa Luftwaffe e a Kriegmarine juntas para destruírem o Reino Unido. O que aconteceu?
Na maior batalha aérea que já aconteceu, a Batalha da Inglaterra, a Royal Air Force, mostrando bravura e coragem (afinal os Stukas e os Messerschimitts alemães eram muito superiores aos Spitfires e Bandits ingleses), derrotaram os alemães, conseguindo destruir uma boa parte da frota da Luftwaffe. A partir daí, a Luftwaffe só saberia o significado da palavra derrota, em todas as operações até que em 1944 seria reduzida a um campo de pouso em Berlim com pouquíssimos aviões.
Já a Kriegmarine não chegou a invadir a ilha, pois a frota britânica massacrou os alemães no Canal da Mancha, impossibilitando a invasão de tropas.
A Wehrmatch, com a Waffen SS (tropa de elite alemã), são conhecidas hoje como o melhor exército que o mundo já viu. Triste engano!
A Wehrmatch seria derrotada na União Soviética, não só pelo poderoso exército russo (esse sim o melhor exército do mundo!) e sim pela população. Os alemães levaram mais de um milhão de homens para a União Soviética, voltaram menos de cem mil. O que sobrou da Luftwaffe virou pó em território soviético e os tanques alemães, já superiores aos do inicio da guerra (os famosos King Tiger Pazer I e King Tiger Panzer II), foram barrados pelos TR-34 e TR-40 soviéticos. A campanha americana do pós-guerra dizia que o frio e a técnica de arrasar a terra salvaram os soviéticos dos alemães. Mas como o frio salvou os soviéticos se a maioria do cerco à Moscou foi feito na primavera e no verão de 1941? Doce ilusão!
O Exército Alemão, a política de crescimento de Hitler... tudo enganação que chega hoje aos nossos ouvidos como feitos heróicos. A Alemanha foi grande, mas foi graças à competência de sua inteligência, que desde 1888 era a melhor do mundo para tudo, menos para perceber que não era infalível.
Hoje em dia, não é mais plausível que idéias que já foram implodidas pela História voltem à tona e tragam a sensação de horror que o mundo sentiu há 62 anos atrás. É bom que os governantes, de todo o mundo, tomem cuidado com essa volta do nazi-fascismo, senão o que já está ruim, ficará ainda pior...
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Reunião de Compadres
Nessa semana o presidente russo, Vladimir Putin e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fizeram um encontro de compadres. Nessa reunião, Putin declarou que apóia o planejamento nuclear iraniano e falou sobre a central nuclear que seu país está construindo no sul do Irã. Seria esse um pacto entre dois possíveis rivais dos Estados Unidos?
Não seria impossível, afinal, tanto Rússia quanto Irã tem suas brigas com o velho Tio Sam.
O Irã, posto pelos Estados Unidos no chamado Eixo do Mal (Cuba, Coréia do Norte são outros países que também estão na lista do Eixo), sofre sansões da ONU por conta de seu plano de desenvolvimento de energia nuclear. Além do mais, o Irã é o principal país árabe a levantar a bandeira islâmica contra a intervenção americana no Oriente Médio. Exemplo? Na guerra de Israel contra o Líbano, os americanos apoiaram os israelenses e os iranianos apoiaram os libaneses. Os dois paises trocaram várias ameaças chegando ao ponto de no blog do presidente iraniano, aparecer uma pesquisa com o título de “Os Estados Unidos querem fazer uma Terceira Guerra Mundial?”, felizmente, o “Não” venceu.
Os russos, por sua vez, tem um combate histórico contra os Estados Unidos. No século passado, esses dois paises travaram uma disputa muito quente, a ponto do mundo quase acabar a cada semana. Naquela época, a Rússia fazia parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, da qual faziam parte também Estônia, Letônia, Lituânia, Ucrânia, Moldavia, Bielarus (Bielorrussia), Casaquistão, Turcomenistão, Tadjiquistão, Quirguízia, Azerbaijão, Geórgia e Armênia.
A disputa, chamada de Guerra Fria, começou ao término da Segunda Guerra Mundial e só foi terminar em 1991, com o desmembramento e o fim da União Soviética. Nesse período de tempo, os soviéticos, tendendo ao socialismo e os Estados Unidos, capitalistas, dividiram o mundo em dois lados: Europa Ocidental, América Latina (exceção de Cuba), Oriente Médio, Japão e Oceania saudavam os americanos; já Europa Oriental, China, Indochina, Cuba e partes da África estavam a favor de Moscou. No final, os americanos venceram e a Rússia voltou ao capitalismo, humilhada e bem mais pobre do que nos tempos de Guerra Fria.
Fim de papo entre esse dois paises? Não! Há alguns meses, o presidente americano, George W. Bush vem planejando colocar escudos antimísseis no Leste Europeu. A Rússia, que ainda considera o Leste Europeu seu quintal, disse que se os americanos instalarem algum antimíssil, haverá resposta. Para mostrar que não estão brincando, o Exército Russo hasteou novamente a bandeira soviética e voltaram a chamar seu Exercito de “Exército Vermelho”. No alto do antigo Kremlin, Putin fez a mesma coisa, além de abrir um processo de reunificação com Bielarus.
Será que o mundo está voltando a um estado de tensões? Será que os russos, com nostalgia dos tempos de poder estão querendo se unir ao Irã contra os Estados Unidos? Bom, nessas alturas do campeonato já fica difícil de se deduzir, mas é bem provável que os dois líderes, depois dessa reunião, já saibam a resposta.
Não seria impossível, afinal, tanto Rússia quanto Irã tem suas brigas com o velho Tio Sam.
O Irã, posto pelos Estados Unidos no chamado Eixo do Mal (Cuba, Coréia do Norte são outros países que também estão na lista do Eixo), sofre sansões da ONU por conta de seu plano de desenvolvimento de energia nuclear. Além do mais, o Irã é o principal país árabe a levantar a bandeira islâmica contra a intervenção americana no Oriente Médio. Exemplo? Na guerra de Israel contra o Líbano, os americanos apoiaram os israelenses e os iranianos apoiaram os libaneses. Os dois paises trocaram várias ameaças chegando ao ponto de no blog do presidente iraniano, aparecer uma pesquisa com o título de “Os Estados Unidos querem fazer uma Terceira Guerra Mundial?”, felizmente, o “Não” venceu.
Os russos, por sua vez, tem um combate histórico contra os Estados Unidos. No século passado, esses dois paises travaram uma disputa muito quente, a ponto do mundo quase acabar a cada semana. Naquela época, a Rússia fazia parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, da qual faziam parte também Estônia, Letônia, Lituânia, Ucrânia, Moldavia, Bielarus (Bielorrussia), Casaquistão, Turcomenistão, Tadjiquistão, Quirguízia, Azerbaijão, Geórgia e Armênia.
A disputa, chamada de Guerra Fria, começou ao término da Segunda Guerra Mundial e só foi terminar em 1991, com o desmembramento e o fim da União Soviética. Nesse período de tempo, os soviéticos, tendendo ao socialismo e os Estados Unidos, capitalistas, dividiram o mundo em dois lados: Europa Ocidental, América Latina (exceção de Cuba), Oriente Médio, Japão e Oceania saudavam os americanos; já Europa Oriental, China, Indochina, Cuba e partes da África estavam a favor de Moscou. No final, os americanos venceram e a Rússia voltou ao capitalismo, humilhada e bem mais pobre do que nos tempos de Guerra Fria.
Fim de papo entre esse dois paises? Não! Há alguns meses, o presidente americano, George W. Bush vem planejando colocar escudos antimísseis no Leste Europeu. A Rússia, que ainda considera o Leste Europeu seu quintal, disse que se os americanos instalarem algum antimíssil, haverá resposta. Para mostrar que não estão brincando, o Exército Russo hasteou novamente a bandeira soviética e voltaram a chamar seu Exercito de “Exército Vermelho”. No alto do antigo Kremlin, Putin fez a mesma coisa, além de abrir um processo de reunificação com Bielarus.
Será que o mundo está voltando a um estado de tensões? Será que os russos, com nostalgia dos tempos de poder estão querendo se unir ao Irã contra os Estados Unidos? Bom, nessas alturas do campeonato já fica difícil de se deduzir, mas é bem provável que os dois líderes, depois dessa reunião, já saibam a resposta.
sábado, 22 de setembro de 2007
Campanha Cansei (Visão Pessoal)
Uma nova campanha explodiu nos meios de comunicação, a campanha Cansei, do PPS.
Essa campanha, cuja intenção é criticar o Governo Federal, ganha força com o apoio das grandes redes de televisão do Brasil.
Os participantes pregam o uso do nariz de palhaço para dizerem que estão cansados de verem tanta ineficiência do Governo Federal.
Eu, Rodrigo Accioli, um bom cidadão, vou aderir a essa campanha também. Vou colocar um nariz de palhaço e vou fazer as minhas críticas. Quais seriam elas?
Primeiramente, criticar um Governo Estadual em que o governador sai para disputar a presidência e, um mês depois uma facção criminosa instaura o terror em todo o estado. E qual é a resposta do ex-governador? “Ele não tinha nada haver com aquilo, pois quem estava no cargo de governador era Cláudio Lembo e não ele”. Essa fala, verídica, é comprovada em um vídeo que hoje é atração no website do You Tube. E, no mínimo, mostra o quanto o ex-governador, Sr. Geraldo Alckmin, tem pulso firme e força de vontade de defender os cidadãos que vivem no estado mais rico do país.
Enquanto Alckmin fugia para o Nordeste, alegando estar em campanha, o governador Cláudio Lembo, embranquecendo o embranquecido, fazia acordo com os marginais para eles cessarem os ataques. E dois meses depois, nas eleições presidenciais, Alckmin dizia a plenos pulmões que havia reestruturado e melhorado a polícia e o sistema carcerário de São Paulo (Marcola que nos diga).
O segundo ponto é a questão dos pedágios nas vias sob concessão do Estado de São Paulo.
Na rodovia Presidente Castello Branco, altura do município de Jandira, já existia um antigo pedágio. Porém, o paupérrimo Estado de São Paulo, carente de verbas, resolve colocar um pedágio nas marginais da rodovia, uma extensão de menos de 15 km.
Se fosse ainda um imposto justo, no caso menos de um real, era suportável. Mas além de colocarem pedágios em uma “avenida” (pelo tamanho, a Av. Sapopemba em São Paulo teria dois pedágios, seguindo essa lógica), ainda fazem um preço alto. Será que quinze quilômetros precisam ser mantidos com milhões de reais por mês?
Outro absurdo é a nova proposta do atual governador, Sr. José Serra, de pôr pedágios no trecho oeste do Rodoanel (o único que ficou pronto, de um projeto que era para ter seus trechos totalmente completos em 2006).
O Rodoanel, no papel, é uma idéia para desafogar o transito das cidades, pois ele seria desviado para um anel viário que passaria por todas as estradas ao redor da capital paulista.
O nosso governador, sábio e inteligente, resolve colocar pedágios no Rodoanel. Mas pense bem: se isso for posto em prática, os motoristas usarão as cidades para fugir da conta, tornando o Rodoanel um gigante inútil. Não seria um bom motivo para colocarmos um nariz de palhaço, ou será que o palhaço está mais acima?
Por falar em nariz de palhaço, a arte circense é muito empregada pelo governador do estado e pelo prefeito da cidade de São Paulo, o Sr. Gilberto Kassab.
O primeiro espetáculo aconteceu em julho, mês de férias escolares.
O prefeito da cidade de São Paulo resolveu suspender o rodízio de carros, achando que não haveria problemas, se tratando de um mês de férias. Conclusão: o respeitável público suportou horas e horas de engarrafamento, tanto para ir quanto para voltar do trabalho. Cansou, não cansou?
O segundo espetáculo é um caso a parte: o Bilhete de Ônibus Metropolitano.
Serra, vendo o sucesso do Bilhete Único- projeto feito e realizado na gestão de Marta Suplicy em São Paulo - tentou copiá-lo para ser usado na Região Metropolitana da capital. Daí nascia o BOM (Bilhete de Ônibus Metropolitano)!
O BOM, que era para ser ótimo, ficou ruim. Não fizeram uma estrutura eficiente para o BOM ser acessível a toda a população (apenas estudantes, idosos e algumas pessoas conseguem retirar o cartão eletrônico). E não seria nada demais abrir o BOM a toda a população, pois é até um certo conforto usá-lo. Será que eles não conseguiram entender o projeto do Bilhete Único?
Como todo bom espetáculo de circo, esse vem em três atos. O terceiro é a construção da Linha 4 do Metrô de São Paulo.
Essa linha, já famosa pela cratera que foi formada próximo à Marginal do Rio Pinheiros, agora teve mais um episódio que deixaria qualquer platéia ao estado de risos.
Um túnel de metrô é feito da seguinte maneira: uma equipe fica no inicio da linha e outra no final. E dali, cada equipe faz escavando, até que as duas se encontram, finalizando o processo de escavação dos túneis. Em São Paulo isso foi feito, mas por um erro patético, as duas equipes não se encontraram, pois uma parte ficou paralela à outra, por mais ou menos 1,40 m.
Será que essas palhaçadas todas não cansam o povo paulista? Não, não cansam. O por que? Porque a imprensa encobre os podres dos governos PSDB, assim como foi encoberta a noticia de que os tucanos haviam feito a limpa na construção dos Conjuntos Habitacionais da CDHU. E é isso o que mais cansa! É muito cansativo você ouvir críticas ao governo federal a todo tempo, ver o jornal O Estado de São Paulo ocupar a manchete principal para falar que o índice de aprovação do Governo caiu 1,2%! Enquanto isso, o governo estadual corrói o estado inteiro, deixando-o com uma segurança pública medieval, escolas públicas de qualidade queniana e dois palhaços, que pensam que governar é jogar Sim City.
Isso é o que me cansa! Meu nariz de palhaço é dedicado a essa imprensa, que só informa o que lhe convém e a esses governantes incompetentes, além de um partido alienado e pobre de idéias, como o PPS.
E a platéia, enquanto isso, continua assistindo aos espetáculos, só que com vendas nos olhos e uma serpente como guia...
Essa campanha, cuja intenção é criticar o Governo Federal, ganha força com o apoio das grandes redes de televisão do Brasil.
Os participantes pregam o uso do nariz de palhaço para dizerem que estão cansados de verem tanta ineficiência do Governo Federal.
Eu, Rodrigo Accioli, um bom cidadão, vou aderir a essa campanha também. Vou colocar um nariz de palhaço e vou fazer as minhas críticas. Quais seriam elas?
Primeiramente, criticar um Governo Estadual em que o governador sai para disputar a presidência e, um mês depois uma facção criminosa instaura o terror em todo o estado. E qual é a resposta do ex-governador? “Ele não tinha nada haver com aquilo, pois quem estava no cargo de governador era Cláudio Lembo e não ele”. Essa fala, verídica, é comprovada em um vídeo que hoje é atração no website do You Tube. E, no mínimo, mostra o quanto o ex-governador, Sr. Geraldo Alckmin, tem pulso firme e força de vontade de defender os cidadãos que vivem no estado mais rico do país.
Enquanto Alckmin fugia para o Nordeste, alegando estar em campanha, o governador Cláudio Lembo, embranquecendo o embranquecido, fazia acordo com os marginais para eles cessarem os ataques. E dois meses depois, nas eleições presidenciais, Alckmin dizia a plenos pulmões que havia reestruturado e melhorado a polícia e o sistema carcerário de São Paulo (Marcola que nos diga).
O segundo ponto é a questão dos pedágios nas vias sob concessão do Estado de São Paulo.
Na rodovia Presidente Castello Branco, altura do município de Jandira, já existia um antigo pedágio. Porém, o paupérrimo Estado de São Paulo, carente de verbas, resolve colocar um pedágio nas marginais da rodovia, uma extensão de menos de 15 km.
Se fosse ainda um imposto justo, no caso menos de um real, era suportável. Mas além de colocarem pedágios em uma “avenida” (pelo tamanho, a Av. Sapopemba em São Paulo teria dois pedágios, seguindo essa lógica), ainda fazem um preço alto. Será que quinze quilômetros precisam ser mantidos com milhões de reais por mês?
Outro absurdo é a nova proposta do atual governador, Sr. José Serra, de pôr pedágios no trecho oeste do Rodoanel (o único que ficou pronto, de um projeto que era para ter seus trechos totalmente completos em 2006).
O Rodoanel, no papel, é uma idéia para desafogar o transito das cidades, pois ele seria desviado para um anel viário que passaria por todas as estradas ao redor da capital paulista.
O nosso governador, sábio e inteligente, resolve colocar pedágios no Rodoanel. Mas pense bem: se isso for posto em prática, os motoristas usarão as cidades para fugir da conta, tornando o Rodoanel um gigante inútil. Não seria um bom motivo para colocarmos um nariz de palhaço, ou será que o palhaço está mais acima?
Por falar em nariz de palhaço, a arte circense é muito empregada pelo governador do estado e pelo prefeito da cidade de São Paulo, o Sr. Gilberto Kassab.
O primeiro espetáculo aconteceu em julho, mês de férias escolares.
O prefeito da cidade de São Paulo resolveu suspender o rodízio de carros, achando que não haveria problemas, se tratando de um mês de férias. Conclusão: o respeitável público suportou horas e horas de engarrafamento, tanto para ir quanto para voltar do trabalho. Cansou, não cansou?
O segundo espetáculo é um caso a parte: o Bilhete de Ônibus Metropolitano.
Serra, vendo o sucesso do Bilhete Único- projeto feito e realizado na gestão de Marta Suplicy em São Paulo - tentou copiá-lo para ser usado na Região Metropolitana da capital. Daí nascia o BOM (Bilhete de Ônibus Metropolitano)!
O BOM, que era para ser ótimo, ficou ruim. Não fizeram uma estrutura eficiente para o BOM ser acessível a toda a população (apenas estudantes, idosos e algumas pessoas conseguem retirar o cartão eletrônico). E não seria nada demais abrir o BOM a toda a população, pois é até um certo conforto usá-lo. Será que eles não conseguiram entender o projeto do Bilhete Único?
Como todo bom espetáculo de circo, esse vem em três atos. O terceiro é a construção da Linha 4 do Metrô de São Paulo.
Essa linha, já famosa pela cratera que foi formada próximo à Marginal do Rio Pinheiros, agora teve mais um episódio que deixaria qualquer platéia ao estado de risos.
Um túnel de metrô é feito da seguinte maneira: uma equipe fica no inicio da linha e outra no final. E dali, cada equipe faz escavando, até que as duas se encontram, finalizando o processo de escavação dos túneis. Em São Paulo isso foi feito, mas por um erro patético, as duas equipes não se encontraram, pois uma parte ficou paralela à outra, por mais ou menos 1,40 m.
Será que essas palhaçadas todas não cansam o povo paulista? Não, não cansam. O por que? Porque a imprensa encobre os podres dos governos PSDB, assim como foi encoberta a noticia de que os tucanos haviam feito a limpa na construção dos Conjuntos Habitacionais da CDHU. E é isso o que mais cansa! É muito cansativo você ouvir críticas ao governo federal a todo tempo, ver o jornal O Estado de São Paulo ocupar a manchete principal para falar que o índice de aprovação do Governo caiu 1,2%! Enquanto isso, o governo estadual corrói o estado inteiro, deixando-o com uma segurança pública medieval, escolas públicas de qualidade queniana e dois palhaços, que pensam que governar é jogar Sim City.
Isso é o que me cansa! Meu nariz de palhaço é dedicado a essa imprensa, que só informa o que lhe convém e a esses governantes incompetentes, além de um partido alienado e pobre de idéias, como o PPS.
E a platéia, enquanto isso, continua assistindo aos espetáculos, só que com vendas nos olhos e uma serpente como guia...
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
O Agressor Agredido
Segunda semana do mês de setembro. Nessa semana, aconteceu o aniversário de seis anos do primeiro ataque estrangeiro em solo americano. Flores, velas acesas e várias cartas no muro próximo onde ficavam as torres que outrora eram as maiores do mundo, as torres do World Trade Center.
Naquele onze de setembro de 2001, os Estados Unidos choraram. Mas, se os iraquianos pudessem prever o futuro, com certeza teriam chorado com mais dor e insegurança do que os estadunidenses.
Teriam chorado por um outro atentado terrorista, causado pela onda negra do Agressor Agredido. Teriam chorado por pressentir que depois do Afeganistão, o Iraque seria o alvo do que foi chamado de Cruzada contra o Terror - o que deixou o mundo islâmico em alvoroço.
Assim como as Cruzadas do período medieval, os novos “cruzados” usaram um pretexto para atingir o objetivo principal: o enriquecimento. Só que para essa nova Cruzada, Sir. George Bush, o Cavaleiro Branco, atacou o Afeganistão para inebriar a visão mundial sobre o conflito, para depois lançar o seu plano principal. O Cavaleiro Branco semeou a morte e a miséria em um povo que já vivia em condições difíceis. E depois de tanto sangue e tristeza, o Cavaleiro perdeu sua batalha contra Osama Bin Laden, principal acusado do atentado de 11 de setembro.
Mas um grande cavaleiro não haveria de desistir da Glória Eterna! E lá foi o cavaleiro sem cavalo, mudando seu rumo para o Iraque.
O Iraque, país rico em petróleo, na época não dispunha de armamento nenhum, nem dos mais simples, para sua própria defesa. E mesmo assim, os Estados Unidos o acusaram de fabricante de armas nucleares, além de celeiro do terrorismo. Nossa! Prender fabricantes de armas nucleares agora é crime? Sorte do Roosevelt já ter morrido!
O Cavaleiro atacou e com sua lança golpeou o governo de Saddam Hussein, única força que ainda mantinha o país unido. Com a estocada no coração de Bagdá, os vermes da desordem tomaram conta do governo que já jazia nas mãos dos Estados Unidos. Não seria também um atentado terrorista atacar um país que era totalmente inocente? Um ataque a dois prédios valeria a morte de dezenas de milhares de pessoas inocentes? Para o Cavaleiro Branco, sim.
Alias, não é de hoje que os americanos são terroristas que ficam maquiados no Teatro de Operações. Voltemos no tempo, na época da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
O Japão, uma das forças do Eixo Roma-Berlim-Tóquio, estava totalmente subjugado ao poderio ianque e já não representava perigo. Mas o Tio Sam, para poder testar seu novo brinquedinho, usou duas cidades japonesas como o local para seus testes: as cidades de Hiroshima e Nagasaki. O brinquedinho, uma bomba atômica, foi lançado contra a cidade de Hiroshima, matando quase toda a sua população (uma cidade abarrotada de civis, que não tinham relação nenhuma com a guerra)! Após o horror da bomba, com pessoas desfiguradas, crianças morrendo de câncer, milhares de pessoas carbonizadas, os mocinhos do Mississipi atacaram de novo com seu novo brinquedinho, dessa vez na cidade de Nagasaki. Cristo! Eles viram o que aconteceu com Hiroshima e bombardearam novamente, sem nenhum escrúpulo!
Ah! Mas o povo dos Estados Unidos de hoje não pode pagar pelo o que seus antepassados fizeram! Contudo, os mesmos estadunidenses fazem uma nação inteira ser culpada, mesmo sabendo de sua inocência! Paradoxo, não?
Espere, caro leitor! No caso do Oriente Médio, os estadunidenses não pararam por aí! Além de dominarem o Iraque, ainda o pilharam, pois as fontes de petróleo iraquianas ficaram em poder das empresas americanas. E, onde antes Hussein sufocava qualquer milícia terrorista, agora as milícias sufocam o governo de marionetes imposto pelos Estados Unidos. Mortes são freqüentes, e, assim como as oito cruzadas anteriores, a nona foi um fracasso total.
Graças ao Bush, a antiga rivalidade entre Ocidente e Oriente voltou à tona, o que deixou o mundo em uma tensão com poderes para ser causadora de uma futura Terceira Guerra Mundial. Espalhar o medo e a guerra pelo mundo todo... não seria um ato terrorista?
Mas, o que é mais importante para o mundo? O símbolo de poder da maior potência mundial, ou milhares de vidas insignificantes, em um lugar empoeirado na Terra? O que vale mais, apoiar o Agressor Agredido, ou a verdade que está a favor de um povo miserável? Para os lucros de um país, “vamos defender a honra ofendida dos Estados Unidos, por Deus”!
E com essa lógica, o Agressor Agredido vai atacando, usando o Cavalo Branco à frente, escurecendo o dia e fazendo com que as nuvens presas ao passado voltem ao nosso céu... e dessa vez, não há previsão de tempo bom amanhã...
Naquele onze de setembro de 2001, os Estados Unidos choraram. Mas, se os iraquianos pudessem prever o futuro, com certeza teriam chorado com mais dor e insegurança do que os estadunidenses.
Teriam chorado por um outro atentado terrorista, causado pela onda negra do Agressor Agredido. Teriam chorado por pressentir que depois do Afeganistão, o Iraque seria o alvo do que foi chamado de Cruzada contra o Terror - o que deixou o mundo islâmico em alvoroço.
Assim como as Cruzadas do período medieval, os novos “cruzados” usaram um pretexto para atingir o objetivo principal: o enriquecimento. Só que para essa nova Cruzada, Sir. George Bush, o Cavaleiro Branco, atacou o Afeganistão para inebriar a visão mundial sobre o conflito, para depois lançar o seu plano principal. O Cavaleiro Branco semeou a morte e a miséria em um povo que já vivia em condições difíceis. E depois de tanto sangue e tristeza, o Cavaleiro perdeu sua batalha contra Osama Bin Laden, principal acusado do atentado de 11 de setembro.
Mas um grande cavaleiro não haveria de desistir da Glória Eterna! E lá foi o cavaleiro sem cavalo, mudando seu rumo para o Iraque.
O Iraque, país rico em petróleo, na época não dispunha de armamento nenhum, nem dos mais simples, para sua própria defesa. E mesmo assim, os Estados Unidos o acusaram de fabricante de armas nucleares, além de celeiro do terrorismo. Nossa! Prender fabricantes de armas nucleares agora é crime? Sorte do Roosevelt já ter morrido!
O Cavaleiro atacou e com sua lança golpeou o governo de Saddam Hussein, única força que ainda mantinha o país unido. Com a estocada no coração de Bagdá, os vermes da desordem tomaram conta do governo que já jazia nas mãos dos Estados Unidos. Não seria também um atentado terrorista atacar um país que era totalmente inocente? Um ataque a dois prédios valeria a morte de dezenas de milhares de pessoas inocentes? Para o Cavaleiro Branco, sim.
Alias, não é de hoje que os americanos são terroristas que ficam maquiados no Teatro de Operações. Voltemos no tempo, na época da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
O Japão, uma das forças do Eixo Roma-Berlim-Tóquio, estava totalmente subjugado ao poderio ianque e já não representava perigo. Mas o Tio Sam, para poder testar seu novo brinquedinho, usou duas cidades japonesas como o local para seus testes: as cidades de Hiroshima e Nagasaki. O brinquedinho, uma bomba atômica, foi lançado contra a cidade de Hiroshima, matando quase toda a sua população (uma cidade abarrotada de civis, que não tinham relação nenhuma com a guerra)! Após o horror da bomba, com pessoas desfiguradas, crianças morrendo de câncer, milhares de pessoas carbonizadas, os mocinhos do Mississipi atacaram de novo com seu novo brinquedinho, dessa vez na cidade de Nagasaki. Cristo! Eles viram o que aconteceu com Hiroshima e bombardearam novamente, sem nenhum escrúpulo!
Ah! Mas o povo dos Estados Unidos de hoje não pode pagar pelo o que seus antepassados fizeram! Contudo, os mesmos estadunidenses fazem uma nação inteira ser culpada, mesmo sabendo de sua inocência! Paradoxo, não?
Espere, caro leitor! No caso do Oriente Médio, os estadunidenses não pararam por aí! Além de dominarem o Iraque, ainda o pilharam, pois as fontes de petróleo iraquianas ficaram em poder das empresas americanas. E, onde antes Hussein sufocava qualquer milícia terrorista, agora as milícias sufocam o governo de marionetes imposto pelos Estados Unidos. Mortes são freqüentes, e, assim como as oito cruzadas anteriores, a nona foi um fracasso total.
Graças ao Bush, a antiga rivalidade entre Ocidente e Oriente voltou à tona, o que deixou o mundo em uma tensão com poderes para ser causadora de uma futura Terceira Guerra Mundial. Espalhar o medo e a guerra pelo mundo todo... não seria um ato terrorista?
Mas, o que é mais importante para o mundo? O símbolo de poder da maior potência mundial, ou milhares de vidas insignificantes, em um lugar empoeirado na Terra? O que vale mais, apoiar o Agressor Agredido, ou a verdade que está a favor de um povo miserável? Para os lucros de um país, “vamos defender a honra ofendida dos Estados Unidos, por Deus”!
E com essa lógica, o Agressor Agredido vai atacando, usando o Cavalo Branco à frente, escurecendo o dia e fazendo com que as nuvens presas ao passado voltem ao nosso céu... e dessa vez, não há previsão de tempo bom amanhã...
domingo, 9 de setembro de 2007
O Presidente Analfabeto e a Moral Brasileira
Dia normal para uma família brasileira: calor acima dos vinte e cinco graus, todos reunidos torno da televisão, como se cultuassem um deus. O pai, homem digno e trabalhador, é o presidente de uma empresa de médio porte. Ah! Nada como observar uma típica família da classe média brasileira se reunindo à noite!
Na televisão, o velho PAN-TAM: notícias dos jogos pan-americanos, ou do acidente aéreo da TAM. Diziam os críticos que o Governo estava escondendo seus podres através dos jogos Pan Americanos, – que em mais de 70% só foi usufruído pela classe média e a burguesia desse país - para que o povo esquecesse o que havia acontecido no país. Mas, o que teria acontecido afinal?
O pai, sentando-se ao lado de sua mulher, que estava claramente irritada em perder o programa de fofocas do canal concorrente, diz:
- A culpa é desse governo ineficiente!
- Mas também, queremos o que com um presidente analfabeto?- responde a mãe, arrancando um sorriso do pai.
Não desrespeitemos a opinião do nobre casal, afinal, nesse país a classe média sempre é tida como culta (come mortadela e arrota filé mignon).
Como a informação brasileira tem um formato muito próximo ao de um iceberg (só se vê o superficial, o que está nas entranhas, o que está submerso, não resolvem mostrar. Assustaria, não é mesmo?), esquecem-se os fatos que co-relacionam os acontecimentos.
O primeiro fato a ser lembrado é a posição da televisão brasileira.
A Rede Globo de Televisão foi a maior força de apoio à Ditadura Militar, que corroeu duas décadas do nosso país. A Globo, com seu padrão burguês, sempre foi direcionada à direita política do nosso país. Apoiou o Governo Collor, o Governo Fernando Henrique Cardoso (dólar a R$ 3,60, lembram-se?Além de retirar o poder governamental sobre a ANATEL, refletindo hoje nos altos preços da tarifa de telefonia)e sempre criticou o governo Lula. Então, como o Governo só passaria Pan na televisão, se a Globo quase monopoliza o horário nobre? O pobre casal se esqueceu disso!
O segundo fato é que a pista do aeroporto de Congonhas, colocada sempre como grande culpada do acidente aéreo que ocorreu há mais de um mês, não é analisada por uma empresa contratada pelo Governo Federal. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas, do Governo do Estado de São Paulo, é quem se responsabiliza pela análise técnica da pista e dá o parecer se o solo está em condições ou não de uso.
Os jornalistas brasileiros, que entendem de bolinho de carne à cibernética, tentaram culpar o governo novamente, colocando depoimentos de pilotos nos principais jornais do Brasil. O engraçado foi ver que todos eram da Tam.
Enquanto isso, o casal continua assistindo o noticiário, descobrindo que o depoimento de um dos pilotos que havia pilotado o Airbus A320 já tinha sido dado. O conteúdo, como foi dado pela televisão, era de que o problema estava na pista de Congonhas e não no avião.
O pai, pensando no jogo do Mengão no Maracanã, se esquece que a própria Airbus havia dado um parecer de que o avião não poderia pousar em uma pista com menos de dois quilômetros de extensão. Isso em dias secos! (Opa! Congonhas não chega a ter uma pista de dois quilômetros e a chuva já havia molhado o solo paulistano). E a mãe, querendo assistir cenas do aniversário de nove anos de uma garotinha filha de uma ex-atriz pornô (que depois foi considerada Rainha dos Baixinhos!), se esquece de observar que a advogada do piloto usava uniforme da TAM. Como somos um povo em que a honestidade caminha sutilmente em nossa história, claramente não poderíamos afirmar que a advogada já havia mostrado ao piloto o que ele teria que dizer, afinal, um homem nunca perderia o emprego por dizer o que sente!
Foi ineficiência governamental? Difícil dizer, não é mesmo? Principalmente para o filho do casal, o Rei sem terra, que se preocupa mais em saber se as ondas do mar estarão propícias para o surfe amanhã, do que com o que o país será quando em um futuro próximo. Mas, assim como temos cento e oitenta e cinco milhões de técnicos, temos cento e oitenta e cinco milhões de doutores em Ciências Políticas. E, numa conversa sobre política, o nosso Rei dá seu palpite em claro e bom tom “A culpa é do governo, como podemos ter um presidente analfabeto para cuidar do nosso país!?”
Antes um asno que me carregue, do que um cavalo que me derrube!
Como o caro leitor percebeu, temos nesse humilde texto uma afirmação que se repete. “O problema do Brasil é que o presidente é analfabeto!”
Temos um presidente analfabeto? Garanto que nem o nosso presidente sabia dessa.
Afinal, como um analfabeto pode fazer um discurso muito mais decente e convincente do que o outro candidato, que passou mais de quinze anos na escola? Como um analfabeto pode fazer o melhor governo – isso não quer dizer muito quando se trata do Brasil - que esse país teve em um longo período de tempo?
Não, o nosso presidente não é analfabeto. E, mesmo que fosse, não seria problema algum. O que adianta termos um presidente que viajou para o exterior, fala inglês e foi o melhor aluno na Universidade de São Paulo, se o homem não tem visão alguma sobre o que ocorre nesse país? Teríamos outro Jânio Quadros tentando fazer São Paulo virar Londres na calada da noite! Escolaridade é algo bem diferente de cultura e de inteligência!
O ser humano tem a capacidade de aprender sozinho, senão eu não estaria usando um computador para escrever esse texto. Nossa cabeça é capaz de raciocinar e ter uma conclusão sobre um assunto sem termos que ir à escola para que alguém nos diga isso.
Dizer que um ser humano não é capaz só porque não tem um diploma é um erro. A escola nos direciona, nos apresenta desafios e nos prova. Mas isso não é o suficiente. A maior escola da vida, é a própria vida. Se todo humano dependesse de um professor para aprender sobre tudo, seríamos uma sociedade robótica, pois só iríamos reproduzir o que uma mente nos mandou fazer. Pensando bem... se formos na rua e observarmos as pessoas, parece que essa idéia não está tão absurda assim, não é mesmo?
O nosso presidente não é incapaz e nem burro. O que os cultos sempre dizem comprova isso. Oras, o brasileiro não é o povo alegre e inteligente que consegue se virar de vento e popa com quinhentos reais por mês? O presidente pode não ter sido rico em estudos, mas bem que deu uma surra no candidato do PSDB, o digníssimo Geraldo Alckmin (que até a Opus Dei pertence!), que só soube dizer em sua campanha a célebre frase: ”Vamos ampliar e melhorar.”
Quem seria o incapaz? Aquele que não estudou e venceu ou aquele que passou metade da vida na escola e perdeu? E além do mais, um médico não é melhor do que um metalúrgico como economista, agricultor, político, engenheiro...
Porém a boa família da classe média não entende isso. E, enquanto eu escrevo esse texto, o culto Rei (estuda no colégio mais caro da cidade, de alta sociedade!) está apostando corrida de carros. Esse seria um melhor presidente do que o que nós temos agora? Se partirmos do pressuposto de que só quem está na escola é bom...
A moral desse país não pode ter seus índices baixos justificados na falta de escolaridade do presidente. Há outros fatores nessa neblina.
O primeiro fator, um dos mais importantes, é que nunca no Brasil foi feito um processo de identificação com a nação.
Somos uma nação que só se enche de orgulho de quatro em quatro anos, quando colocamos a camiseta da seleção brasileira e ficamos em frente a uma televisão assistindo Kaká e Robinho pensarem em seus contratos europeus e se esquecerem da bola. Até mesmo quando foi declarada a Independência do Brasil, o nosso rei estava pensando em um dia reunir esse país a Portugal.
E esse verme nos corroeu sempre, pois a burguesia brasileira sempre manteve esse pensamento de colônia, ou seja, prefere mais o estrangeiro (no caso a “metrópole”) ao próprio Brasil. Parece mentira, mas pense melhor, caro leitor: qual é o seu país preferido? A Inglaterra e seu rock, os EUA e o glamour de Nova York, a França e La Tour Eiffel? Quantos escolheriam o Brasil? Nem naquela família de classe média, que agora assistia à novela das nove horas, teríamos um indivíduo que não sonharia morar em outro país.
O segundo ponto é...que moral o brasileiro tem? É possível se ter uma moral quando a burguesia sempre joga na cara do povo que tudo o que vem de fora é melhor que o nosso? É possível se ter uma moral quando a hipocrisia nos faz falar contra as drogas e enquanto isso nossos filhos são drogados? É possível se ter uma moral quando se sabe que a força mais poderosa do país é mais corrupta e conservadora do que o Congresso Nacional? É possível se ter uma moral quando somos todos recrutados a seguir sempre a mesma regra? Por falar em regra...que regra seria essa?
Voltemos a nossa querida família de classe média. A mãe leu na revista que comer carne faz mal aos pulmões. Pronto! A família na hora para de comer carne, pois não quer perder os pulmões. O filho viu que todos começaram andar de skate, usar cabelo com gel e ouvir a mesma musica. Explicação do Rei? “Pra catar mina, pô! E é musica de macho, não aqueles de preto, bando de retardado.” Depois disso, ele vai assistir Malhação e rir do ridículo personagem Bodão imitar de forma pejorativa uma parcela de pessoas da sociedade. Com essa visão, fica claro que a televisão e as revistas são as grandes formadoras de opinião. E com um mecanismo pequenino, quase imperceptível, manipula as pessoas: a moda.
Alguém aí se arriscaria a usar listrado com xadrez? Ou então um homem vestir um vestido? É errado? Pelas tradições e pela moda sim. Listrado e xadrez não combinam e vestido é coisa para mulher... mas não veste um e outro da mesma maneira?
Além da moda, também citemos a hipocrisia. Nos jornais lemos que o Brasil é um dos países com menores índices de preconceito? Seria verdade? Não.
A sociedade brasileira é totalmente preconceituosa. O pai daquela família proibiu o namoro do filho porque a garota era negra. Além de exclamar a plenos pulmões que foi um bando de índios que havia pichado o centro da cidade na noite passada, mal o nosso senhor sabia que o filho dele era um dos possíveis “índios”.
Não percebemos, mas a todo instante cometemos algum tipo de preconceito. Alguns, de mente bitolada, dizem: “eu não tenho preconceito”. Mas é só ver um carro pintado com uma cor muito vibrante que logo diz: “Que carro de baiano!”
Como um povo que quer ter moral pode ter preconceito com seus próprios irmãos e no preconceito racial, contra seu próprio sangue – e nem venham os “negros” se fazerem de coitados, pois há muito preconceito racial nesse lado da história também - e contra seu próprio povo?
Além do mais, a juventude da qual faz parte o Rei e todos aqueles entre 15-20 anos, assistia uma atriz pornográfica ser considerada a Rainha dos Baixinhos no país. cantavam e dançavam as musicas dela, com incentivo dos pais! Aí de noite, esses mesmos pais, assistem o jornal das 20:30, que costumava ser apoio para o Regime Militar e hoje se diz “democrático”. Cristo é a mesma coisa que corinthiano ver que o São Paulo está em alta e dizer que agora torce pro São Paulo!
Essa é a moral do brasileiro! Esse é o nosso jeito de viver! Viva o país que vive de rebolados e de uma mídia controladora! Viva a nossa juventude, muito pensante, filosofando se o professor faz o que é certo ou não! Viva as classes dominantes, que são tão inteligentes e cultas que em 500 anos não conseguiram fazer o país avançar três centímetros.
Por fim, a conclusão sobre o presidente é a velha frase: antes um asno que me carregue, do que um cavalo que me derrube!
E então... a família vai dormir, para amanhã um novo dia nascer e tudo o que hoje foi feito e preparado, amanhã não seja continuado...
by Rodrigo Almeida
Na televisão, o velho PAN-TAM: notícias dos jogos pan-americanos, ou do acidente aéreo da TAM. Diziam os críticos que o Governo estava escondendo seus podres através dos jogos Pan Americanos, – que em mais de 70% só foi usufruído pela classe média e a burguesia desse país - para que o povo esquecesse o que havia acontecido no país. Mas, o que teria acontecido afinal?
O pai, sentando-se ao lado de sua mulher, que estava claramente irritada em perder o programa de fofocas do canal concorrente, diz:
- A culpa é desse governo ineficiente!
- Mas também, queremos o que com um presidente analfabeto?- responde a mãe, arrancando um sorriso do pai.
Não desrespeitemos a opinião do nobre casal, afinal, nesse país a classe média sempre é tida como culta (come mortadela e arrota filé mignon).
Como a informação brasileira tem um formato muito próximo ao de um iceberg (só se vê o superficial, o que está nas entranhas, o que está submerso, não resolvem mostrar. Assustaria, não é mesmo?), esquecem-se os fatos que co-relacionam os acontecimentos.
O primeiro fato a ser lembrado é a posição da televisão brasileira.
A Rede Globo de Televisão foi a maior força de apoio à Ditadura Militar, que corroeu duas décadas do nosso país. A Globo, com seu padrão burguês, sempre foi direcionada à direita política do nosso país. Apoiou o Governo Collor, o Governo Fernando Henrique Cardoso (dólar a R$ 3,60, lembram-se?Além de retirar o poder governamental sobre a ANATEL, refletindo hoje nos altos preços da tarifa de telefonia)e sempre criticou o governo Lula. Então, como o Governo só passaria Pan na televisão, se a Globo quase monopoliza o horário nobre? O pobre casal se esqueceu disso!
O segundo fato é que a pista do aeroporto de Congonhas, colocada sempre como grande culpada do acidente aéreo que ocorreu há mais de um mês, não é analisada por uma empresa contratada pelo Governo Federal. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas, do Governo do Estado de São Paulo, é quem se responsabiliza pela análise técnica da pista e dá o parecer se o solo está em condições ou não de uso.
Os jornalistas brasileiros, que entendem de bolinho de carne à cibernética, tentaram culpar o governo novamente, colocando depoimentos de pilotos nos principais jornais do Brasil. O engraçado foi ver que todos eram da Tam.
Enquanto isso, o casal continua assistindo o noticiário, descobrindo que o depoimento de um dos pilotos que havia pilotado o Airbus A320 já tinha sido dado. O conteúdo, como foi dado pela televisão, era de que o problema estava na pista de Congonhas e não no avião.
O pai, pensando no jogo do Mengão no Maracanã, se esquece que a própria Airbus havia dado um parecer de que o avião não poderia pousar em uma pista com menos de dois quilômetros de extensão. Isso em dias secos! (Opa! Congonhas não chega a ter uma pista de dois quilômetros e a chuva já havia molhado o solo paulistano). E a mãe, querendo assistir cenas do aniversário de nove anos de uma garotinha filha de uma ex-atriz pornô (que depois foi considerada Rainha dos Baixinhos!), se esquece de observar que a advogada do piloto usava uniforme da TAM. Como somos um povo em que a honestidade caminha sutilmente em nossa história, claramente não poderíamos afirmar que a advogada já havia mostrado ao piloto o que ele teria que dizer, afinal, um homem nunca perderia o emprego por dizer o que sente!
Foi ineficiência governamental? Difícil dizer, não é mesmo? Principalmente para o filho do casal, o Rei sem terra, que se preocupa mais em saber se as ondas do mar estarão propícias para o surfe amanhã, do que com o que o país será quando em um futuro próximo. Mas, assim como temos cento e oitenta e cinco milhões de técnicos, temos cento e oitenta e cinco milhões de doutores em Ciências Políticas. E, numa conversa sobre política, o nosso Rei dá seu palpite em claro e bom tom “A culpa é do governo, como podemos ter um presidente analfabeto para cuidar do nosso país!?”
Antes um asno que me carregue, do que um cavalo que me derrube!
Como o caro leitor percebeu, temos nesse humilde texto uma afirmação que se repete. “O problema do Brasil é que o presidente é analfabeto!”
Temos um presidente analfabeto? Garanto que nem o nosso presidente sabia dessa.
Afinal, como um analfabeto pode fazer um discurso muito mais decente e convincente do que o outro candidato, que passou mais de quinze anos na escola? Como um analfabeto pode fazer o melhor governo – isso não quer dizer muito quando se trata do Brasil - que esse país teve em um longo período de tempo?
Não, o nosso presidente não é analfabeto. E, mesmo que fosse, não seria problema algum. O que adianta termos um presidente que viajou para o exterior, fala inglês e foi o melhor aluno na Universidade de São Paulo, se o homem não tem visão alguma sobre o que ocorre nesse país? Teríamos outro Jânio Quadros tentando fazer São Paulo virar Londres na calada da noite! Escolaridade é algo bem diferente de cultura e de inteligência!
O ser humano tem a capacidade de aprender sozinho, senão eu não estaria usando um computador para escrever esse texto. Nossa cabeça é capaz de raciocinar e ter uma conclusão sobre um assunto sem termos que ir à escola para que alguém nos diga isso.
Dizer que um ser humano não é capaz só porque não tem um diploma é um erro. A escola nos direciona, nos apresenta desafios e nos prova. Mas isso não é o suficiente. A maior escola da vida, é a própria vida. Se todo humano dependesse de um professor para aprender sobre tudo, seríamos uma sociedade robótica, pois só iríamos reproduzir o que uma mente nos mandou fazer. Pensando bem... se formos na rua e observarmos as pessoas, parece que essa idéia não está tão absurda assim, não é mesmo?
O nosso presidente não é incapaz e nem burro. O que os cultos sempre dizem comprova isso. Oras, o brasileiro não é o povo alegre e inteligente que consegue se virar de vento e popa com quinhentos reais por mês? O presidente pode não ter sido rico em estudos, mas bem que deu uma surra no candidato do PSDB, o digníssimo Geraldo Alckmin (que até a Opus Dei pertence!), que só soube dizer em sua campanha a célebre frase: ”Vamos ampliar e melhorar.”
Quem seria o incapaz? Aquele que não estudou e venceu ou aquele que passou metade da vida na escola e perdeu? E além do mais, um médico não é melhor do que um metalúrgico como economista, agricultor, político, engenheiro...
Porém a boa família da classe média não entende isso. E, enquanto eu escrevo esse texto, o culto Rei (estuda no colégio mais caro da cidade, de alta sociedade!) está apostando corrida de carros. Esse seria um melhor presidente do que o que nós temos agora? Se partirmos do pressuposto de que só quem está na escola é bom...
A moral desse país não pode ter seus índices baixos justificados na falta de escolaridade do presidente. Há outros fatores nessa neblina.
O primeiro fator, um dos mais importantes, é que nunca no Brasil foi feito um processo de identificação com a nação.
Somos uma nação que só se enche de orgulho de quatro em quatro anos, quando colocamos a camiseta da seleção brasileira e ficamos em frente a uma televisão assistindo Kaká e Robinho pensarem em seus contratos europeus e se esquecerem da bola. Até mesmo quando foi declarada a Independência do Brasil, o nosso rei estava pensando em um dia reunir esse país a Portugal.
E esse verme nos corroeu sempre, pois a burguesia brasileira sempre manteve esse pensamento de colônia, ou seja, prefere mais o estrangeiro (no caso a “metrópole”) ao próprio Brasil. Parece mentira, mas pense melhor, caro leitor: qual é o seu país preferido? A Inglaterra e seu rock, os EUA e o glamour de Nova York, a França e La Tour Eiffel? Quantos escolheriam o Brasil? Nem naquela família de classe média, que agora assistia à novela das nove horas, teríamos um indivíduo que não sonharia morar em outro país.
O segundo ponto é...que moral o brasileiro tem? É possível se ter uma moral quando a burguesia sempre joga na cara do povo que tudo o que vem de fora é melhor que o nosso? É possível se ter uma moral quando a hipocrisia nos faz falar contra as drogas e enquanto isso nossos filhos são drogados? É possível se ter uma moral quando se sabe que a força mais poderosa do país é mais corrupta e conservadora do que o Congresso Nacional? É possível se ter uma moral quando somos todos recrutados a seguir sempre a mesma regra? Por falar em regra...que regra seria essa?
Voltemos a nossa querida família de classe média. A mãe leu na revista que comer carne faz mal aos pulmões. Pronto! A família na hora para de comer carne, pois não quer perder os pulmões. O filho viu que todos começaram andar de skate, usar cabelo com gel e ouvir a mesma musica. Explicação do Rei? “Pra catar mina, pô! E é musica de macho, não aqueles de preto, bando de retardado.” Depois disso, ele vai assistir Malhação e rir do ridículo personagem Bodão imitar de forma pejorativa uma parcela de pessoas da sociedade. Com essa visão, fica claro que a televisão e as revistas são as grandes formadoras de opinião. E com um mecanismo pequenino, quase imperceptível, manipula as pessoas: a moda.
Alguém aí se arriscaria a usar listrado com xadrez? Ou então um homem vestir um vestido? É errado? Pelas tradições e pela moda sim. Listrado e xadrez não combinam e vestido é coisa para mulher... mas não veste um e outro da mesma maneira?
Além da moda, também citemos a hipocrisia. Nos jornais lemos que o Brasil é um dos países com menores índices de preconceito? Seria verdade? Não.
A sociedade brasileira é totalmente preconceituosa. O pai daquela família proibiu o namoro do filho porque a garota era negra. Além de exclamar a plenos pulmões que foi um bando de índios que havia pichado o centro da cidade na noite passada, mal o nosso senhor sabia que o filho dele era um dos possíveis “índios”.
Não percebemos, mas a todo instante cometemos algum tipo de preconceito. Alguns, de mente bitolada, dizem: “eu não tenho preconceito”. Mas é só ver um carro pintado com uma cor muito vibrante que logo diz: “Que carro de baiano!”
Como um povo que quer ter moral pode ter preconceito com seus próprios irmãos e no preconceito racial, contra seu próprio sangue – e nem venham os “negros” se fazerem de coitados, pois há muito preconceito racial nesse lado da história também - e contra seu próprio povo?
Além do mais, a juventude da qual faz parte o Rei e todos aqueles entre 15-20 anos, assistia uma atriz pornográfica ser considerada a Rainha dos Baixinhos no país. cantavam e dançavam as musicas dela, com incentivo dos pais! Aí de noite, esses mesmos pais, assistem o jornal das 20:30, que costumava ser apoio para o Regime Militar e hoje se diz “democrático”. Cristo é a mesma coisa que corinthiano ver que o São Paulo está em alta e dizer que agora torce pro São Paulo!
Essa é a moral do brasileiro! Esse é o nosso jeito de viver! Viva o país que vive de rebolados e de uma mídia controladora! Viva a nossa juventude, muito pensante, filosofando se o professor faz o que é certo ou não! Viva as classes dominantes, que são tão inteligentes e cultas que em 500 anos não conseguiram fazer o país avançar três centímetros.
Por fim, a conclusão sobre o presidente é a velha frase: antes um asno que me carregue, do que um cavalo que me derrube!
E então... a família vai dormir, para amanhã um novo dia nascer e tudo o que hoje foi feito e preparado, amanhã não seja continuado...
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